AMIG Brasil pede transparência e reparação da Vale após extravasamentos de rejeitos em Ouro Preto e Congonhas

Publicado em

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) expressou preocupação após os recentes incidentes envolvendo a mineradora Vale em Ouro Preto e Congonhas, ambos registrados no dia 25 de janeiro de 2026. Em menos de 24 horas, duas estruturas da mineradora se romperam, liberando um volume significativo de água e sedimentos nos rios da região. Esses eventos ocorrem exatamente sete anos após o desastre de Brumadinho, que deixou 272 vítimas fatais, e levantam sérias questões sobre a segurança e a gestão das operações mineradoras.

AMIG cita impacto ambiental e danos aos rios da região

Na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, o extravasamento atingiu os rios Goiabeiras e Maranhão, despejando cerca de 263 mil metros cúbicos de rejeitos. O segundo incidente, na Mina Viga, em Congonhas, impactou novamente o Rio Maranhão, um afluente do já marcado Rio Paraopeba. Esses rios enfrentam sérios riscos de contaminação devido ao aumento da turbidez da água, carreamento de sedimentos e assoreamento, colocando em risco a biodiversidade e a qualidade da água, além de aumentar o risco de futuras enchentes.

A AMIG Brasil criticou a falta de transparência da Vale, que comunicou os incidentes com horas de atraso, prejudicando a resposta das autoridades locais. A associação defende que a população e os municípios não devem viver sob a constante ameaça de falhas operacionais, como as observadas nas cavas, diques e sumps das mineradoras, especialmente em um momento em que o país ainda carrega as cicatrizes de tragédias como a de Brumadinho.

Também expressou preocupação com as mudanças na legislação ambiental, especialmente com a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, sancionada em 2025, que flexibilizou as exigências de fiscalização para empreendimentos de médio porte.

A associação destaca que, em um momento crítico, em que a infraestrutura mineradora já demonstrou sua fragilidade, o relaxamento das normas de licenciamento pode aumentar ainda mais os riscos para as comunidades mineradoras. A flexibilidade nas regras de fiscalização e a redução da participação das comunidades tradicionais nas decisões são apontadas como um retrocesso que coloca a segurança e o bem-estar das populações em risco.

Responsabilização e reparação dos danos da Vale na região

A AMIG Brasil informou que está tomando medidas para garantir que a Vale seja responsabilizada pelos danos causados. A associação exige:

  1. Transparência total: A divulgação imediata e detalhada das causas dos incidentes e do estado das estruturas de contenção.

  2. Responsabilização: Apuração rigorosa das responsabilidades e aplicação de sanções, incluindo multas e exigência de planos de ação concretos para prevenir novos incidentes.

  3. Reparação integral: A apresentação de um plano de reparação ambiental e social para as comunidades afetadas, totalmente custeado pela mineradora.

E reforçou que os recursos da CEFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) devem ser utilizados para promover o bem-estar da população e o desenvolvimento de alternativas econômicas, e não para cobrir prejuízos gerados pela negligência corporativa.

Matérias Relacionadas

Mauro Nunes assume Desenvolvimento Econômico e Turismo de Ipatinga a partir de novembro

Mauro Nunes foi nomeado para comandar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Ipatinga, com posse prevista para 1º de novembro

Vale vai criar 3.603 vagas em nova planta de minério em Mariana

Nova planta da Vale em Mariana poderá processar 21,8 milhões de toneladas de minério por ano e gerar 3.603 contratações durante as obras

Mulheres avançam 25% na mineração, mas desigualdade nas lideranças ainda são grandes

A participação feminina na mineração chegou a 25% em 2026, mas desigualdades persistem na liderança e a paridade de gênero pode ficar para 2049

Mineração Guanhães recebe licença para multiplicar produção de minério bruto em Minas

Mineração Guanhães recebe licenças ambientais para ampliar capacidade de 300 mil para 1,5 milhão de toneladas anuais de minério bruto em Minas Gerais, com validade até 2033

últimas Matérias

Prefeito de Conceição do Mato Dentro exonera secretário após denúncia de incentivo a boicote político contra comerciantes

Otacílio Costa afirmou que a decisão foi tomada após denúncia recebida pela Ouvidoria da Prefeitura; secretário teria incentivado boicote a estabelecimentos comerciais por divergências políticas

Edição de outubro do jornal Cidades & Minerais

A nova edição do jornal Cidades & Minerais já está disponível! Nesta edição, você confere os principais acontecimentos, notícias e tendências que movimentam o setor mineral

Vale vê novas regras dos minerais críticos como possível impulso para crescer no Brasil

Vale avalia que novas regras para minerais críticos podem estimular investimentos no Brasil e destaca expectativa de maior protagonismo da mineração na economia

Polícia prende suspeito de agredir deputada Duda Salabert durante fiscalização de mineração ilegal em Nova Lima

Um suspeito de agredir Duda Salabert e um engenheiro ambiental durante fiscalização de mineração ilegal em Nova Lima foi preso pela Polícia Civil de Minas Gerais