O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reagiu com surpresa à operação da Polícia Federal que resultou na prisão de dois servidores federais ligados ao setor de mineração em Minas Gerais. A operação, que investiga um esquema de exploração ilegal de minério de ferro em áreas ambientais sensíveis, prendeu Caio Mário Seabra, ex-diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), e Rodrigo de Melo Teixeira, ex-diretor da Polícia Federal.
Ministro Alexandre Silveira falou da ação da Polícia Federal
A Polícia Federal identificou que o grupo envolvido utilizava empresas de fachada, servidores públicos e articulações políticas para atuar sem a devida licença ambiental, gerando danos ambientais significativos em troca de propina. A operação cumpriu 22 prisões temporárias e 79 mandados de busca e apreensão em várias localidades de Minas Gerais, além de bloquear R$ 1,5 bilhão em bens de envolvidos no esquema.
Durante um evento sobre mineração em Nova Lima, o Ministro Alexandre Silveira ressaltou o respeito pelas instituições, mas defendeu que os envolvidos tenham direito ao contraditório e à ampla defesa. “Acreditamos no Estado democrático de direito e nas instituições. Ambos foram afastados porque as instituições estão acima das pessoas”, afirmou.
Silveira também destacou a trajetória técnica de Caio Mário Seabra e Rodrigo de Melo Teixeira, mencionando que Seabra, apesar das acusações, era considerado um profissional altamente qualificado na ANM, e que Teixeira tinha uma carreira de 25 anos na Polícia Federal, com uma “ficha ilibada”. O ministro reforçou a importância de garantir o devido processo legal e afirmou que a Justiça e a Polícia Federal têm a responsabilidade de esclarecer todos os fatos.
Em sua fala, o Ministro Alexandre Silveira também defendeu a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa fortalecer a autonomia da Polícia Federal, criando uma “polícia de Estado” mais robusta para garantir que as investigações e ações de combate à corrupção possam ser feitas com total imparcialidade, sem pressões externas.
Operação da PF na fraude no setor mineral
A operação da Polícia Federal desmantelou um esquema que operava em mais de 40 empresas, incluindo a Minerar S/A, com atividades em regiões de grande valor ambiental, como áreas tombadas. Além de corrupção e fraude documental, os investigados são acusados de crimes como lavagem de dinheiro e tráfico de influência.
A ação levou a um fortalecimento da fiscalização sobre o setor e trouxe à tona a preocupação com a prática de atividades ilegais em áreas sensíveis, com graves consequências para o meio ambiente e para a sociedade.


