O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afastou a possibilidade de demitir a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Marília Carvalho Melo, mesmo após a divulgação de um esquema de mineração ilegal envolvendo membros do alto escalão da pasta. O comentário de Zema ocorreu nesta terça-feira (23/9), durante a reabertura do bloco cirúrgico do Hospital Cristiano Machado, em Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte.
Governo de Minas reafirma apoio à investigação contra a mineração ilegal
Ao ser questionado sobre a permanência de Marília Melo à frente da Semad, o governador foi firme em sua defesa, lembrando que, desde 2020, a secretária tem enfrentado desafios significativos, incluindo “ameaças de morte”. Para Zema, essas ameaças são um indicativo de que Marília estava atuando de maneira incisiva para barrar procedimentos que, segundo ele, “alguém queria que fossem aprovados a qualquer custo”. O governador também garantiu que a Controladoria do Estado está fornecendo total apoio à investigação da Polícia Federal.
Zema destacou a importância do avanço das investigações, dizendo que a continuidade da operação seria benéfica para Minas Gerais. “Sempre que você elimina frutos podres de uma estrutura, ela se torna mais saudável”, afirmou o governador, ressaltando que o Estado tem tudo a ganhar com o fim de práticas ilegais no setor.
Auditoria e revisão das licenças ambientais
O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), complementou as declarações de Zema e mencionou que o Executivo está realizando uma auditoria completa nos processos de licenciamento ambiental. O objetivo, segundo Simões, é paralisar quaisquer processos suspeitos e revisar todas as licenças emitidas que possam ter sido influenciadas pela organização criminosa envolvida no esquema.
A Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal no dia 17 de setembro, revelou um esquema criminoso envolvendo empresários e membros de alto escalão da Semad e da Agência Nacional de Mineração (ANM).
O grupo criminoso atuava para manter a extração de minerais em locais tombados, como a Serra do Curral, em Belo Horizonte, e a Serra de Botafogo, em Ouro Preto. A operação trouxe à tona um sistema de corrupção que envolvia a manipulação de licenças ambientais e autorizações de mineração em áreas protegidas.


