O domínio da China sobre a produção e o refino de terras raras foi um dos maiores trunfos geopolíticos do país em 2025, especialmente no contexto das disputas comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia. O país asiático detém mais de 90% da produção final desses minerais, fundamentais para setores como tecnologias de ponta e a transição energética.
No entanto, um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) aponta para uma diversificação significativa nesse mercado nos próximos anos, o que pode alterar o equilíbrio global da cadeia de produção.
Queda na participação chinesa no refino de terras raras
Segundo o relatório da IEA publicado em maio de 2025, a participação da China no refino de terras raras deve cair 16 pontos percentuais até 2035, ainda que o país continue a dominar aproximadamente ⅔ do mercado. Esse movimento ocorre devido ao crescimento de novos players internacionais que, com investimentos significativos, devem começar a operar nas próximas décadas.
A diversificação do mercado de terras raras é vista como um passo crucial para garantir uma cadeia de suprimento mais segura e menos dependente de um único país.
Malásia: o novo polo de terras raras na Ásia
Um dos principais destaques no relatório da IEA é o papel crescente da Malásia, que se consolidará como um hub estratégico na produção de terras raras. O país asiático deve dobrar sua participação no mercado até 2030, passando de 4% para 9%.
A Malásia abriga a maior planta de processamento de terras raras pesadas fora da China, operada pela mineradora australiana Lynas, que, em outubro de 2025, anunciou um investimento de US$ 121 milhões para expandir sua refinaria. Com isso, o país poderá aumentar a produção de terras raras para 1.500 toneladas anuais, tornando-se um ponto central no fornecimento de recursos estratégicos.
Além disso, a Lynas está prestes a finalizar uma parceria com a sul-coreana JS Link para construir uma fábrica de ímãs superpotentes, ao lado de sua planta na Malásia. A instalação terá a capacidade de fabricar 3.000 toneladas de superímãs por ano, impulsionando ainda mais a posição do país no mercado de terras raras.
Ações do governo malaio e o papel crescente dos EUA
O governo malaio também está tomando medidas para fortalecer sua posição no mercado de terras raras. Em novembro de 2025, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação da Malásia, Chang Lih Kang, anunciou que o país proibiu a exportação de terras raras com o objetivo de incentivar o desenvolvimento do setor de refino e processamento local.
Por sua vez, os Estados Unidos estão trabalhando para aumentar sua participação no refino de terras raras, visando se tornar a 3ª maior força no mercado até 2035, com 7% do total. Esse movimento faz parte da estratégia dos EUA para reduzir a dependência da China e diversificar a cadeia de suprimento de minerais críticos essenciais para a transição energética.


