A Vale avalia que as relações entre Brasil e China nunca estiveram tão positivas, criando um ambiente favorável para os negócios. Segundo o vice-presidente Executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Marcelo Bacci, o cenário tem contribuído para um relacionamento “bastante saudável” entre a mineradora e a estatal China Mineral Resources Group (CMRG), com quem negocia de forma contínua parte de sua oferta.
“Eu estava na China na semana passada, a relação Brasil-China também nunca esteve em um momento tão positivo. Então, isso também é um fator onde existe um ‘goodwill’ muito grande nessas negociações que se reflete nas conversas que a gente tem com a CMRG”, disse ele na sexta-feira (13), durante coletiva de imprensa sobre resultados da empresa.
Também presente, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, destacou o diferencial competitivo da companhia no mercado global.
Diferencial estratégico no mercado chinês
Pimenta afirmou que a mineradora possui um “grande diferencial” na indústria, com minério de ferro que permite a realização de diversas blendagens, ampliando o atendimento a diferentes perfis de clientes.
“Nós temos uma característica de corrigir os minérios australianos. Então, a Vale tem um papel muito estratégico como fonte de fornecimento de minério para os clientes chineses”, disse Pimenta.
Bacci e Pimenta evitaram comentar diretamente sobre notícias envolvendo dificuldades nas relações entre a australiana BHP e a CMRG. “Eu acho que é difícil a gente comentar sobre a relação China-Austrália, mas a relação com o Brasil é muito boa”, disse Bacci.
Negociações equilibradas e mercado de oferta e demanda
O vice-presidente explicou que a CMRG, criada em 2022 para centralizar a compra de minério de ferro e obter melhores condições comerciais, busca constantemente vantagens em aspectos como frete, qualidade e prazos.
“A gente vai tentando achar os pontos, tentando fazer uma negociação que seja favorável para todo mundo”, afirmou, acrescentando que a Vale já flexibilizou para a CMRG algumas taxas de frete, blendagens e datas de entrega.
“Obviamente que o papel deles é tentar comprar mais barato, mas é um mercado de oferta e demanda. Então é uma relação, vamos dizer, balanceada entre o que eles desejam e o que é possível ser feito. E essa relação tem sido bastante saudável ao longo do tempo”, afirmou.
Preços do minério e perspectivas para dividendos
Sobre os preços do minério de ferro, Bacci afirmou que, no último ano e meio, as cotações oscilaram entre US$ 95 e US$ 108 por tonelada, o que ele considera uma “volatilidade relativamente baixa”. “E a gente espera que essa realidade continue acontecendo aí nos próximos meses olhando para frente”, afirmou, em referência à estabilidade dos preços.
Em relação aos dividendos, o executivo destacou que o início de 2026 apresentou um potencial de geração de caixa “muito bom, tanto pelo desempenho operacional da companhia, quanto por preços de mercado. A gente tem uma perspectiva muito boa para o ano”, disse ele, ponderando que ainda é cedo para projeções mais precisas.
Bacci acrescentou que, à medida que a companhia reduz sua dívida líquida para um patamar “muito abaixo” de US$ 15 bilhões, aumenta a probabilidade de pagamento de dividendos extraordinários.


