V Encontro Nacional de Municípios Mineradores da Amig é aberto com nova cobrança por estruturação da ANM

Publicado em

 

A Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig) abriu nesta terça feira (19) os trabalhos no V Econtro Nacional de Municípios Mineradores. O evento, realizado no auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em Belo Horizonte, reúne representes de entidades, profissionais, pesquisadores e stakeholders da mineração inscritos com o objetivo de promover a troca de informações e qualificar os participantes sobre os temas de maior relevância do segmento.

“Vamos discutir licenciamentos ambientais e aquilo que realmente importa, que é a sustentabilidade, a segurança e a diversificação econômica, uma vez que minério não dá duas safras”, resume o presidente da Amig, José Fernando Aparecido de Oliveira.

O primeiro painel do evento foi ministrado pelo Consultor de Relações Institucionais da Amig, Waldir Salvador. O nome do painel, “A Realidade dos Municípios Mineradores do Brasil no Contexto da Atividade da Mineração”, já sugere o mote da abordagem. Em síntese, a apresentação traçou um panorama do cenário da mineração no país, principalmente a partir da perspectiva sobre como a União deixou de assumir o seu papel de planejadora e executora das políticas que ditam o rumo da atividade de exploração mineral no país, deixando as empresas que atuam no segmento se autorregularem, o que traz inúmeros danos para a sociedade.

Evento destacou que sucateamento da agência reguladora da mineração provoca danos aos municípios e a toda sociedade; Programação segue até esta quarta-feira, em Belo Horizonte
Consultor de Relações Institucionais da Amig, Waldir Salvador critica Estado brasileiro por não assumir historicamente seu papel de agente promotor e regulador da mineração

Salvador critica o fato de a fiscalização do setor minerário estar historicamente sendo negligenciada pelo Governo Federal, uma vez que caberia à Agência Nacional de Mineração (ANM) regular o setor. O órgão, que atravessa uma gravíssima crise, jamais funcionou como deveria, desde a sua criação em substituição ao antigo Departamento de Produção Mineral (DNPM), que já havia sido condenado à extinção por estar “nocauteado”, conforme classificou Salvador.

“A União é proprietária dos recursos minerais, é responsável pela outorga minerária, tem direito originário a parte da Cfem, aqueles 10% que o governo surrupia, para não falar outra palavra, desde que a Agência Nacional de Mineração foi criada. É dinheiro que vai para outra coisa, vai para o Tesouro, mas na agência ele não chega. De vez em quando acompanhamos esse discurso de que precisamos reestruturar a agência. Mas ela foi estruturada algum dia? Ela nunca foi estruturada, é natimorta desde 5 de dezembro de 2018. Ela não cumpre seu papel”, comenta o consultor da Amig.

Prejuízo bilionário

Baseada em dados do Tribunal de Contas da União (TCU), a AMIG estima que os entes deixaram de arrecadar mais de R$ 20 bilhões em Cfem, por conta do sucateamento da ANM, em greve desde o final de maio.

Esse e outros assuntos continuam na pauta do evento, que tem a cobertura do CidadesMineradoras.com.br, em parceria com a MM Advocacia Minerária. O V Encontro Nacional de Mineração segue com atividades nesta quarta-feira. A programação completa está no site da Amig.

Matérias Relacionadas

Projeto da Vale prevê mais de 2 mil empregos e coloca Parauapebas diante de nova expansão da mineração

Projeto Alemão da Vale prevê mais de 2 mil empregos diretos na implantação de uma unidade de concentrado de cobre em Parauapebas, no Pará

Ferrovias batem recorde em 2025 e minério de ferro responde por 72% das cargas

Em 2025, as ferrovias brasileiras movimentaram 555,48 milhões de toneladas úteis, com o minério de ferro respondendo por cerca de 72% das cargas

Pará: Projeto Luanga prevê mina com capacidade para processar 10 milhões de toneladas de minério por ano

Projeto Luanga, localizado na região de Carajás, no Pará, prevê implantação de mina, unidade de beneficiamento e metalúrgica, com capacidade para processar até 10 milhões de toneladas de minério por ano

Mariana avança na política habitacional com construção de 352 apartamentos pelo Minha Casa, Minha Vida

Município assinou contratos para implantação de moradias populares e investimento de R$ 31,52 milhões em infraestrutura urbana; área também deverá receber novos projetos habitacionais

últimas Matérias

Terras raras no Sul de Minas atraem BNDES e podem movimentar R$ 3,5 bilhões em novo megaprojeto

Projeto Caldeira, entre Poços de Caldas e Caldas, pode ter participação do BNDES e prevê processamento de terras raras no Brasil em meio a acordo de R$ 3,5 bilhões da Lynas

ANM quer dividir fiscalização da mineração com estados e municípios e mira bilhões em royalties

A ANM quer ampliar a fiscalização da mineração com apoio de estados e municípios, monitorar barragens e empreendimentos e reforçar o controle da arrecadação da Cfem

Nióbio pode deixar carros mais leves e seguros e já representa 33% dos negócios da CBMM

O nióbio vem ganhando espaço na indústria automotiva por contribuir para a fabricação de...

Ternium investe R$ 25 bilhões no Brasil e comemora 20 anos na Bolsa de Nova York

Ternium completa 20 anos na Bolsa de Nova York, investe R$ 25 bilhões no Brasil e amplia aportes na Usiminas, no Rio de Janeiro e na formação técnica