O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) avalia que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras deve aumentar o déficit comercial entre os dois países. As declarações foram feitas nesta terça-feira (25) pelo vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin, que cobrou aceleração nas negociações e afirmou que os números comprovam que as sanções não têm justificativa.
Exportações caem e importações disparam
No acumulado do ano, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 4%, apesar da antecipação de embarques que ajudou a amortecer parte dos efeitos. Já as importações de produtos americanos cresceram mais de 11%. Dos dez principais itens vendidos pelos EUA ao Brasil, oito possuem tarifa zero, resultando em uma média tarifária de apenas 2,7%.
Setores mais afetados e esforço diplomático reforçado
Alckmin destacou que 22% das exportações brasileiras estão sujeitas ao tarifaço e outros 27% enfrentam sanções aplicadas também a outros países. Produtos industriais, mel e pescados estão entre os que seguem taxados. O vice-presidente também apontou frentes de diálogo com os EUA fora do tema tarifário, como data centers, big techs e terras raras, que podem ajudar a destravar as tratativas.
Pressão por votações no Congresso
O ministro demonstrou preocupação com a demora na apreciação de propostas enviadas ao Congresso para apoiar empresas afetadas. Entre elas, o projeto que cria o Reintegra Especial, com crédito de 3,1% sobre o valor exportado — e 6,1% para micro e pequenas empresas — válido para 2025 e 2026. Se não aprovado, o benefício não poderá ser utilizado. A partir de 2027, com a reforma tributária, a desoneração será total.
Medida provisória prestes a caducar
Também preocupa o governo a MP do Plano Brasil Soberano, que reúne grande parte das medidas de socorro e perde validade em 11 de dezembro caso não seja votada.
Tarifas começam a ser revistas pelos EUA
Na semana passada, o presidente Donald Trump retirou tarifas de 40% sobre alguns produtos agrícolas do Brasil e, dias antes, havia derrubado a tarifa de 10% aplicada a exportações como carne e café. Mesmo com esses recuos, o governo brasileiro considera que o tarifaço segue pesado e exige reação imediata.


