Assim como havia ocorrido em agosto, as importações de aços planos caíram 16,6% em setembro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 241,4 mil toneladas, segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) divulgados nesta quinta-feira (23).
Além da fraqueza do mercado interno, a expectativa de implementação de medidas antidumping contra a China também influenciou o resultado, explicou o presidente-executivo do Inda, Carlos Jorge Loureiro.
Expectativa por medidas antidumping
De acordo com Loureiro, o Brasil pode anunciar, entre dezembro e fevereiro, a adoção de medidas antidumping contra laminados a frio e revestidos provenientes da China.
“Isso tem feito com que os importadores se retraiam um pouco em relação ao fechamento de novos negócios, enquanto não ficar devidamente esclarecido se teremos ou não o antidumping”, afirmou.
Segundo ele, as compras realizadas agora podem ser afetadas pela medida, devido ao tempo de transporte entre os países.
Perspectivas para as importações
Loureiro avalia que, sem a implementação do antidumping, as importações de aços planos poderão voltar a crescer, ainda que em volumes menores do que os registrados anteriormente.
“Os desembarques não serão zerados, pois há produtos que o país consome em quantidade superior à que produz, tornando a importação necessária”, disse.
Como exemplo, o executivo citou o galvalume, cuja demanda mensal é de 80 mil toneladas, enquanto a produção nacional é de cerca de 45 mil toneladas.
“Ele continuará sendo importado, independentemente de qualquer medida antidumping”, ressaltou.
“É claro que, se houver um antidumping contra a China, o galvalume passará a ser importado não mais dos chineses, mas de outros países, como a Coreia do Sul. O que pode ocorrer é uma mudança na origem das importações”, explicou Loureiro.
Novas medidas previstas para 2026
O presidente do Inda também afirmou que está prevista a implementação de medidas antidumping contra laminados a quente provenientes da China, a partir de maio ou junho de 2026.
De janeiro a setembro, em comparação com o mesmo período de 2024, as importações de aços planos cresceram 25,9%, somando 2,6 milhões de toneladas.
Apesar do aumento no acumulado do ano, o ritmo de crescimento diminuiu em relação ao pico de 46,5% registrado no primeiro semestre.
Tarifa dos EUA não afetou exportações
As exportações de aços planos totalizaram 667,3 mil toneladas em setembro, das quais 576,4 mil toneladas foram de placas.
Os Estados Unidos compraram 457,4 mil toneladas, segundo o Inda.
“O problema da tarifa dos Estados Unidos não está diminuindo a exportação de placas, devido à necessidade que eles têm, com a ausência de produção local”, afirmou Loureiro.
Para o executivo, o resultado mostra que o ‘tarifaço’ dos EUA contra o Brasil não trouxe impacto relevante às exportações do setor.


