As exportações de Minas Gerais para os Estados Unidos sofreram uma queda significativa em 2025, encerrando o ano com uma redução de 7,7% no valor total e 1,3% no volume de produtos enviados para o país. De acordo com dados do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEMG, o valor das exportações mineiras caiu para US$ 4,3 bilhões, enquanto o Brasil, como um todo, também enfrentou uma queda de 6,6% em suas exportações para os Estados Unidos.
Apesar dessa retração, os Estados Unidos seguiram como o segundo principal destino das exportações de Minas Gerais, atrás apenas da China. Esse dado destaca a importância do mercado norte-americano para os setores industriais e agrícolas do estado, que, mesmo com os desafios impostos por tarifas elevadas, ainda têm relevância estratégica para a economia local.
Setores mais afetados pelas tarifas dos Estados Unidos
A queda nas exportações foi impulsionada principalmente pelas tarifas norte-americanas, que impactaram diretamente segmentos chave da economia mineira. Produtos industrializados, em especial, foram os mais prejudicados pelo que ficou conhecido como o “tarifaço” dos Estados Unidos. Entre os setores mais afetados, destacam-se o aeronáutico, o de aço e a celulose.
Felipe Ramon, analista de negócios internacionais da FIEMG, explica que a maior parte da retração foi puxada por perdas expressivas nessas áreas. O setor aeronáutico, por exemplo, liderou as perdas com um impacto negativo de USD 143 milhões. Já os produtos de aço e a celulose perderam, respectivamente, USD 96 milhões e USD 66 milhões. Esses segmentos, que sempre foram fundamentais nas exportações de Minas Gerais, sentiram o peso das tarifas impostas, especialmente no contexto de uma competitividade mais reduzida no mercado global.
Café segue como principal produto das exportações por Minas Gerais
Apesar da queda generalizada nas exportações, alguns produtos se destacaram e seguiram com bom desempenho, com o café liderando a lista de exportações para os Estados Unidos em 2025. Minas Gerais exportou US$ 1,6 bilhão em café para o mercado norte-americano, consolidando o estado como um dos maiores fornecedores do grão para os EUA.
Outros produtos também mantiveram números expressivos, como o ferro gusa, que gerou US$ 992 milhões em receita, e as ferroligas, que somaram US$ 236,8 milhões. Além disso, transformadores e conversores elétricos, silício e carne bovina completaram a lista de principais exportações mineiras, com valores de US$ 177,5 milhões, US$ 109,9 milhões e US$ 102,8 milhões, respectivamente.
Embora a conjuntura econômica global tenha imposto desafios, os dados demonstram a resiliência de Minas Gerais em manter uma diversidade de produtos no mercado norte-americano, mesmo diante das dificuldades externas.


