A crise da escassez de terras raras provenientes da China continua a afetar severamente a produção de empresas na Europa. Em agosto de 2025, pelo menos sete paralisações foram registradas devido à falta de estoques essenciais, e outras 46 interrupções estão previstas para setembro. O impacto direto dessa escassez reflete os desafios contínuos impostos pela guerra comercial entre EUA e China, além das políticas comerciais restritivas de Pequim, que controlam 90% da produção mundial de terras raras.
Aumento das exportações da China por terras raras não resolve a crise na Europa
Embora a China tenha aumentado suas exportações de terras raras no último mês, alcançando o maior volume desde 2012, as empresas europeias estão enfrentando dificuldades em acessar esses materiais de maneira eficaz. De acordo com Carlo D’Andrea, vice-presidente da Câmara de Comércio da União Europeia e China, a situação está se movendo “de forma extremamente lenta” para as empresas da região.
O problema principal recai sobre a implementação desigual dos certificados de exportação, com algumas empresas conseguindo liberação em poucos dias, enquanto outras enfrentam espera de até dois meses ou mais. A China, que restringiu suas exportações desde abril de 2025, tem deixado a União Europeia em uma posição vulnerável, especialmente para produtos críticos, como ímãs de terras raras, usados em tecnologia de ponta, desde eletrônicos a aviões de combate.
Impacto das restrições comerciais e a guerra EUA-China
As tensões comerciais entre os EUA e China estão gerando efeitos colaterais significativos no comércio global, afetando diretamente as cadeias de suprimentos da União Europeia. Embora um recente alívio tenha sido alcançado após conversas entre os líderes dos dois países, as restrições de exportação impostas pela China desde abril de 2025 continuam a impactar a produção de ímãs de alto desempenho, fundamentais para diversos setores da economia global.
Em contraste, os Estados Unidos parecem ter se recuperado mais rapidamente, como indicado por Jamieson Greer, Representante Comercial dos EUA. Ele destacou que os suprimentos para o seu país já se recuperaram significativamente, uma diferença notável para o cenário europeu.
Empresas europeias buscam apoio e mais paralisações são previstas
Até o momento, 22 empresas europeias buscaram apoio da Câmara da União Europeia para a aprovação de 141 pedidos urgentes de exportação de terras raras da China. No entanto, mais 10 paralisações estão previstas até o final de dezembro de 2025, exacerbando o impacto da crise nas cadeias de produção. A escassez contínua de matérias-primas essenciais representa um desafio significativo para indústrias que dependem dessas substâncias, muitas vezes irreparáveis devido ao tempo e recursos necessários para reiniciar a produção.
Com as exportações de terras raras disparando para 7.338 toneladas no mês passado, a China continua sendo o principal fornecedor global. No entanto, a União Europeia continua sendo um mercado crucial para o país, recebendo volumes de exportação que, no primeiro trimestre de 2025, foram três vezes maiores que os enviados para os Estados Unidos.
As restrições de exportação de terras raras da China não apenas afetam as empresas da União Europeia, mas também refletem um cenário mais amplo de vulnerabilidade nas cadeias de suprimentos globais, exacerbado pela guerra comercial em curso entre EUA e China.


