A Noruega eliminou o Brasil na Copa. Mas a maior lição que ela nos deu está fora de campo

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A derrota para a Noruega na Copa do Mundo teve nome e sobrenome: Haaland. O atacante aproveitou as oportunidades e colocou os noruegueses nas quartas de final.

Mas, para quem vive e trabalha em regiões mineradoras, a maior vitória da Noruega não aconteceu dentro das quatro linhas.

Ela aconteceu muito antes do apito inicial.

Ao descobrir grandes reservas de petróleo e gás natural, a Noruega fez uma escolha que mudaria seu futuro. Em vez de consumir toda a riqueza gerada pelos recursos naturais, decidiu guardar parte dela para preparar o país para o amanhã.

Assim nasceu o Fundo Soberano da Noruega, hoje o maior do mundo, com patrimônio superior a US$ 2 trilhões. Um fundo criado para garantir que uma riqueza finita produzisse benefícios permanentes.

Essa é uma reflexão que interessa diretamente aos municípios mineradores brasileiros.

A mineração gera empregos, movimenta a economia, aumenta a arrecadação e transforma territórios. Mas, por mais importante que seja, ela também é uma atividade finita. Nenhuma jazida dura para sempre.

Por isso, o verdadeiro desafio de uma cidade mineradora não é apenas administrar bem a riqueza que chega hoje, mas utilizar essa riqueza para construir uma economia capaz de prosperar quando o ciclo mineral diminuir.

É exatamente nesse ponto que a experiência norueguesa inspira o debate.

Royalties e CFEM não devem ser encarados apenas como receitas para custear o presente. Eles também precisam financiar o futuro: inovação, educação, qualificação profissional, infraestrutura, empreendedorismo, novas atividades econômicas e oportunidades para as próximas gerações.

Em São Gonçalo do Rio Abaixo, essa lógica já começou a ser incorporada à política pública. O município destina 15% de toda a arrecadação da CFEM para um fundo exclusivo de desenvolvimento econômico. São recursos aplicados na diversificação da economia, na atração de investimentos, na qualificação da mão de obra e na preparação da cidade para um futuro em que a mineração continue sendo importante, mas não seja a única base da economia.

É uma estratégia que parte de uma convicção simples: a melhor forma de honrar a riqueza mineral é transformá-la em oportunidades permanentes.

A Copa do Mundo vai passar. O placar ficará para a história.

Mas, para os municípios mineradores, a pergunta que realmente importa continuará sendo outra: o que ficará quando o minério acabar?

Talvez a resposta esteja justamente na maior vitória da Noruega, aquela que nunca apareceu no placar.

Gabriel Quintão é gestor público de formação e secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Rio Abaixo/MG.
Gabriel Quintão é gestor público de formação e secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Rio Abaixo/MG.

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