O prefeito de Itabira e presidente da AMIG Brasil, Marco Antônio Lage, fez duras críticas ao modelo de mineração no Brasil, destacando a discrepância entre a imensa riqueza mineral do país e a qualidade de vida de suas populações. Durante sua fala na ALMG – Assembleia Legislativa de Minas Gerais, ele não poupou palavras ao afirmar que, após mais de um século de mineração, o Brasil ainda está muito aquém do que poderia ser em termos de bem-estar social.
O paradoxo do níquel e as exportações brasileiras
Lage citou o caso do nióbio, um dos minerais mais importantes do país, ressaltando que o Brasil é responsável por mais de 90% da produção mundial do metal. No entanto, grande parte da produção brasileira é exportada, sem que o país aproveite os benefícios dessa riqueza.
“O Brasil exporta para países como a Inglaterra, que compram o nióbio para depois revender. Isso acontece também com o minério de ferro. O minério sai do Brasil, passa pela Suíça e depois vai para a China. Está tudo errado”, afirmou, destacando a necessidade urgente de uma reforma no modelo de mineração para garantir que os recursos fiquem no país e gerem mais benefícios diretos para as comunidades mineradoras.
Desafios sociais e ambientais nas cidades mineradoras

A crise vivida por Itabira, uma das principais cidades mineradoras do Brasil, foi outro ponto de destaque. Lage mencionou que, após quase 83 anos de exploração mineral, o município se encontra à beira da exaustão mineral, enfrentando sérios desafios sociais e econômicos. Ele destacou a dependência da cidade de uma única empresa, a Vale, que responde por mais de 80% da economia local. A redução da receita proveniente da mineração, com a queda no preço do minério e o fechamento de minas para manutenção, resultou em uma diminuição de R$ 186 milhões no orçamento municipal.
Marco Antônio Lage também enfatizou os impactos da mineração na saúde pública. Ele citou um estudo do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, que revelou o custo elevado da saúde em municípios mineradores, chegando a ser até 70% maior do que em cidades de porte semelhante, não mineradoras. Além disso, destacou uma pesquisa da AMIG Brasil, que apontou que o custo de vida em cidades mineradoras pode ser até 40% superior, especialmente em itens como moradia e alimentação.
O futuro de Itabira e a busca por diversificação econômica
Itabira, que vive grande parte de sua economia dependente da mineração, também enfrenta o desafio de diversificar suas fontes de renda. Com a iminente exaustão mineral, o prefeito mencionou a necessidade urgente de encontrar alternativas para evitar que o município se dependa exclusivamente de uma monoeconomia, um problema que pode se agravar com o fechamento das minas.
Ele afirmou que, a partir de 2021, sua gestão tem se empenhado em melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade e buscar formas de diversificar economicamente a região.
A luta por uma mineração mais justa e sustentável
Por fim, o prefeito Marco Antônio Lage defendeu a importância de uma grande reforma no modelo de mineração no Brasil, que deve ser mais justo e garantir legados para as comunidades mineradoras.
Ele enfatizou que as mineradoras multinacionais devem assumir sua responsabilidade social e deixar um impacto positivo nas regiões em que atuam. Segundo ele, é fundamental que a legislação de mineração no Brasil seja modernizada para garantir que os recursos do país sejam usados em benefício de seus cidadãos, e não apenas das grandes empresas.
A luta por justiça social nas cidades mineradoras, a diversificação econômica e a reforma nas leis de mineração serão temas centrais para o futuro das comunidades que, como Itabira, vivem as consequências da exploração mineral.


