O prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, que também é presidente de AMIG Brasil, afirmou que o município está estruturando um amplo planejamento para reduzir a dependência da mineração e garantir desenvolvimento econômico nas próximas décadas.
Em entrevista exclusiva ao portal Cidades & Minerais, o chefe do Executivo destacou que o programa Itabira Sustentável reúne 61 projetos estratégicos voltados à diversificação da economia local antes da previsão de exaustão mineral, estimada para 2041.
Segundo ele, a proposta foi construída com participação da sociedade civil e apoio de consultorias especializadas, com financiamento da Vale. A iniciativa busca transformar o município em referência nacional de planejamento para cidades mineradoras que precisam se preparar para o período pós-mineração.
“Itabira precisa se preparar para o futuro. A mineração foi e continua sendo fundamental para a cidade, mas sabemos que ela tem um prazo. Por isso estamos estruturando um conjunto de projetos que possam garantir novas oportunidades para a população”, afirmou.
Programa reúne projetos em várias frentes de desenvolvimento
De acordo com Marco Antônio Lage, os 61 projetos foram organizados em 15 eixos estratégicos, abrangendo áreas como inovação, educação, turismo, indústria, meio ambiente e agronegócio. A intenção é criar novas fontes de geração de renda para substituir gradualmente a dependência histórica da atividade mineral.
O prefeito ressaltou que o plano foi construído com participação da sociedade organizada, universidades, empresas e instituições locais. Para ele, a estratégia precisa ser tratada como um projeto permanente da cidade e não apenas de um governo.
Segundo Lage, a ideia é garantir que Itabira construa um legado econômico após mais de um século de mineração em seu território.
Polo médico e faculdade de medicina estão entre os projetos de Marco Antonio Lage já em andamento
Entre as iniciativas já concretizadas dentro do planejamento está a criação da faculdade de medicina da FUNCESI, que já iniciou suas atividades e possui turmas em funcionamento. O projeto faz parte da estratégia de criação de um polo médico regional, capaz de atender pacientes de várias cidades e reduzir a dependência de serviços especializados em Belo Horizonte.
“A universidade tem um papel central nesse planejamento. Queremos ampliar cursos, atrair estudantes e transformar Itabira em um polo de conhecimento e inovação”, disse o prefeito.
O município também recebeu recentemente um centro de radioterapia inaugurado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerado pelo prefeito um passo importante para consolidar essa nova vocação econômica ligada à área da saúde.
A expectativa da prefeitura é ampliar a oferta de serviços médicos especializados, como cardiologia, neurologia e tratamentos de alta complexidade.
Universidade e inovação devem impulsionar nova economia
Outro pilar do planejamento envolve a expansão da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), que possui campus em Itabira. A prefeitura negocia a ampliação da oferta de cursos e o aumento do número de estudantes, com previsão de superar 20 graduações e dobrar a quantidade de alunos matriculados.
Segundo o prefeito Marco Antonio Lage, a universidade terá papel estratégico na geração de conhecimento e no desenvolvimento de tecnologias que possam impulsionar novos setores econômicos no município.
Entre os projetos estudados está o uso de rejeitos da mineração como matéria-prima para a indústria da construção civil, incluindo a produção de tijolos, pavimentação e outros materiais.
Rejeitos da mineração podem virar nova cadeia produtiva
Itabira possui cerca de 500 milhões de metros cúbicos de rejeitos minerais depositados em barragens ao longo das últimas décadas. Parte desse material poderá ser reaproveitada tanto na mineração quanto na produção de insumos industriais.
De acordo com Marco Antônio Lage, estudos em parceria com a universidade e a mineradora buscam transformar esse passivo ambiental em oportunidade econômica, dentro do conceito de mineração circular.
A proposta prevê a criação de um distrito industrial voltado à fabricação de materiais de construção a partir desses resíduos.
Turismo, agronegócio e economia criativa entram no plano de diversificação
Além da indústria e da inovação, o planejamento inclui investimentos em turismo cultural, religioso e de natureza. O município pretende estruturar eventos, revitalizar equipamentos turísticos e criar novas atrações para fortalecer a economia criativa.
Entre os projetos discutidos estão a revitalização da antiga Pousada dos Pinheiros, a implantação de um teleférico até o Pico do Amor e melhorias em áreas naturais para incentivar atividades como voo livre.
Outro eixo envolve o fortalecimento do agronegócio local, com estímulo à produção de leite, café e agricultura familiar.
Relação com a Vale e futuro da mineração
Durante a entrevista, o prefeito Marco Antonio Lage destacou que o diálogo com a Vale é fundamental para garantir investimentos que preparem a cidade para o futuro. Segundo ele, Itabira foi responsável por grande parte da história da mineração brasileira e precisa receber um legado econômico proporcional.
“A Vale faz parte da história de Itabira e continua sendo uma parceira importante. O que defendemos é que esse momento seja usado para construir alternativas econômicas que permaneçam mesmo depois da mineração”, afirmou.
Marco Antônio Lage também defendeu que o encerramento gradual das atividades mineradoras seja acompanhado por projetos estruturantes capazes de evitar impactos sociais e econômicos na região.
“Não queremos esperar o fim da mineração para agir. Estamos trabalhando agora para que Itabira tenha novas atividades econômicas e continue crescendo nas próximas décadas”, disse.
Para ele, Itabira pode se tornar um exemplo de planejamento para municípios que convivem com a mineração e precisam se preparar para o período pós-exploração mineral.
“Itabira tem potencial para se reinventar. Com planejamento, investimento em educação e diversificação da economia, podemos construir uma cidade forte mesmo depois do ciclo da mineração”, concluiu.
Veja abaixo a entrevista completa:


