“Itabira será referência para cidades mineradoras”, afirma Marco Antônio Lage

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O futuro de Itabira pode servir de exemplo para centenas de municípios brasileiros que dependem da mineração e precisarão se preparar para um cenário de transformação econômica. A avaliação é do prefeito Marco Antônio Lage, presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (AMIG Brasil), em entrevista exclusiva ao Cidades & Minerais durante a Exposibram 2026.

Segundo Lage, a cidade que construiu sua história econômica a partir da mineração de ferro precisa transformar o momento de transição em uma oportunidade para criar novas atividades e reduzir a dependência do setor mineral.

A declaração ocorre em um momento em que Itabira se prepara para o futuro após décadas de exploração mineral. Para o prefeito, a experiência do município pode orientar outras localidades que ainda possuem grande atividade mineradora, mas precisam começar a planejar a diversificação econômica antes que a abundância de recursos diminua.

Itabira pode se tornar referência na diversificação econômica

Marco Antônio Lage destacou que a história de Itabira está diretamente ligada à mineração e à própria trajetória da Vale. Ao longo de quase um século de atividade, a cidade se consolidou como um dos principais símbolos da mineração brasileira.

O prefeito defende que a experiência acumulada pelo município seja utilizada para construir um novo modelo de desenvolvimento. O projeto Itabira Sustentável é apontado como uma das iniciativas destinadas a reduzir a dependência da mineração e criar novas matrizes econômicas.

Para Lage, porém, diversificar uma economia baseada na mineração é uma das tarefas mais complexas para os gestores públicos. Por isso, o planejamento precisa começar enquanto os municípios ainda possuem arrecadação, investimentos e capacidade financeira.

A lógica defendida pelo prefeito é que a preparação para o pós-mineração não pode começar somente quando as receitas provenientes da atividade mineral estiverem próximas do fim.

AMIG cobra compensação pela mineração e maior valor agregado

Além da transição econômica de Itabira, o presidente da AMIG Brasil defendeu mudanças na forma como a riqueza mineral brasileira retorna aos territórios produtores.

Lage afirmou que o Brasil possui uma posição estratégica no cenário mundial por suas reservas minerais e classificou o país como a segunda maior potência geológica do planeta. Segundo ele, entretanto, o conhecimento sobre o próprio subsolo ainda é limitado, com apenas 38% mapeado.

Na avaliação do prefeito, ampliar o conhecimento geológico e transformar os recursos minerais em desenvolvimento econômico e tecnológico são desafios fundamentais para o novo ciclo da mineração.

Outro ponto levantado na entrevista foi a tributação das exportações de produtos minerais. Lage criticou os efeitos da Lei Kandir sobre estados mineradores e afirmou que somente Minas Gerais teria deixado de arrecadar mais de R$ 130 bilhões.

Para o prefeito, o caminho não é interromper imediatamente as exportações de matérias-primas, mas criar mecanismos de compensação e, ao mesmo tempo, estimular a industrialização no país.

A ideia defendida é utilizar a riqueza gerada pela mineração para financiar novas cadeias produtivas, ampliar investimentos em tecnologia, qualificação profissional e agregação de valor aos minerais extraídos no Brasil.

Para Lage, esse debate ganha ainda mais importância diante da crescente demanda mundial por minerais críticos e estratégicos utilizados na transição energética. O desafio, segundo ele, é fazer com que a nova fase da mineração produza não apenas exportações e receitas para as empresas, mas também desenvolvimento tecnológico, industrialização, empregos qualificados e melhoria das condições econômicas dos territórios mineradores.

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