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Prefeitura de Itabira desapropria casa da infância de Elke Maravilha, sob risco de soterramento pela mineração

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A casa onde a artista Elke Maravilha viveu a infância, na zona rural de Itabira, está no centro de uma polêmica envolvendo a mineração. O imóvel, situado na Fazenda Cubango, em Ipoema, foi adquirido pela Vale e corre o risco de ser soterrado por pilhas de estéril de minério de ferro. Para tentar evitar que esse bem histórico se perca, a Prefeitura do município publicou, na última sexta-feira (29/08), um decreto de desapropriação da casa. A ideia é que seus elementos arquitetônicos e estruturais sejam reaproveitados para a criação de um espaço cultural em homenagem a Elke Maravilha.

Elke Grünupp viveu na Fazenda Cubango dos 4 aos 14 anos, logo que chegou da Europa ao Brasil com a família. O pai, Georg Grünupp, era agrônomo e foi contratado pelo fazendeiro Amynthas Jacques de Morais para trabalhar na sua propriedade na zona rural de Itabira. Foi dali que ela saiu para ganhar o Brasil como a multiartista Elke Maravilha: modelo, atriz, jurada e apresentadora de programas de televisão.

O sítio onde Elke viveu com a família foi comprado pela Vale e está em uma localidade que a empresa pretende usar para ampliação das pilhas de estéril do Complexo de Itabira, uma alternativa ao uso de barragens. Outras propriedades também foram compradas pela mineradora na região. A casa que abrigou os Grünupp, datada da década de 1940, construída com tijolos de adobe e tábuas corridas, está em bom estado de conservação, como mostram imagens recentes do fotógrafo ipoemense Roneijober Andrade. A mobília original também está conservada.

Demolição controlada da casa de infância de Elke Maravilha

A desapropriação da sede da Fazenda Cubango alcança 186,75 m². Embora esteja datado em 6 de agosto, o decreto só foi publicado na última sexta-feira, 23 dias depois. No mesmo documento, o imóvel é declarado de utilidade pública.

Segundo a Prefeitura, haverá uma “demolição controlada” da casa para “reaproveitamento de seus elementos arquitetônicos e estruturais para posterior remontagem ou reconstrução, destinada à instalação do Espaço Cultural Elke Maravilha, no distrito de Ipoema”.

Ainda de acordo com o decreto, caberá à Diretoria de Patrimônio Histórico, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, realizar todo o inventário dos elementos arquitetônicos do imóvel, bem como fazer a remoção e o transporte e garantir a preservação dos materiais até que haja a remontagem, ainda sem data anunciada pela Prefeitura.

Sem parceria?

No início deste ano, em 16 de janeiro, o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, encaminhou um ofício para a Vale propondo que o município e a mineradora fossem parceiros na remontagem da casa de Elke Maravilha. O documento foi tornado público pelo site Vila de Utopia. A sugestão era de que a Prefeitura doasse o terreno e a empresa arcasse com a reconstrução, algo semelhante ao que foi feito com a Fazenda do Pontal, que pertenceu à família de Carlos Drummond de Andrade e cujo imóvel original também deu lugar ao rejeito da mineração.

O próprio prefeito Marco Lage comentou sobre a proposta em postagem nas redes sociais no mês de fevereiro, quando Elke Maravilha completaria 80 anos. “Queremos contar a sua história para as novas gerações e eternizar o legado da Elke Maravilha com a instalação do de um museu, onde teremos as vestimentas, os vídeos, fotos e todo um acervo da modelo e artista de muitas faces. Para tanto, o município já encaminhou um ofício à mineradora Vale, no início de janeiro, propondo uma parceria público-privada na reconstrução da sede da Fazenda Cubango (adquirido pela empresa), no distrito de Ipoema, transformando o local em um centro de cultura para contar a trajetória de Elke Maravilha”, escreveu o prefeito. .

“Estou certo de que a Vale entenderá a importância desse propósito e dará o apoio necessário para contarmos juntos a história de Elke Maravilha, uma personalidade icônica e que merece ser lembrada sempre”, completou o chefe do Executivo de Itabira.

A reportagem aguarda informações da Prefeitura de Itabira sobre a resposta da Vale sobre a proposta, bem como também questionou a mineradora sobre a possibilidade de aderir à parceria. Ao que tudo indica, no entanto, com a decisão do município de desapropriar o imóvel e chamar para si a demolição, o acordo não aconteceu.

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