Uma obra de pavimentação asfáltica no distrito de Morro D’Água Quente, em Catas Altas, passou a ser alvo de pedido de investigação após questionamentos sobre possíveis impactos ao patrimônio histórico, cultural e arqueológico da localidade. A representação foi apresentada pelo vereador Cássyo Pousas Vieira, que solicita apuração urgente sobre a intervenção realizada na comunidade.
Segundo o documento encaminhado às autoridades competentes, a obra estaria cobrindo com asfalto um antigo calçamento de pedras que faz parte da identidade histórica e urbanística do distrito, reconhecido pelo valor arquitetônico, turístico e paisagístico.
O parlamentar argumenta que a intervenção altera significativamente a estética original do local, principalmente em áreas próximas a casarões antigos, muros históricos e ruínas preservadas que compõem a memória cultural da região.
Morro D’Água Quente pode ter patrimônio arqueológico afetado
Outro ponto levantado na representação envolve possíveis impactos subterrâneos provocados pela obra. Conforme o vereador, existem vestígios de antigas galerias ligadas ao período da exploração de ouro na região, estruturas que podem possuir relevância arqueológica e histórica.
O documento alerta que o uso de maquinário pesado, aliado à impermeabilização do solo e à possível alteração da drenagem natural, pode comprometer essas estruturas caso não tenham sido realizados estudos preventivos específicos.
Na representação, o vereador pede esclarecimentos sobre a existência de levantamento arqueológico, mapeamento técnico das galerias subterrâneas e análises de integridade estrutural antes da execução da obra.
Pedido cobra documentos técnicos e possível suspensão da obra
A denúncia também questiona a existência de estudos relacionados ao sistema de drenagem pluvial do distrito. Moradores demonstram preocupação com possíveis problemas futuros de escoamento da água, além de riscos estruturais em imóveis próximos.
O documento cita ainda que o conjunto arquitetônico e paisagístico de Morro D’Água Quente possui proteção municipal por meio de decretos que regulamentam a preservação patrimonial e atribuem ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural a análise de intervenções em áreas protegidas.
Entre os pedidos apresentados estão a abertura de procedimento investigatório, solicitação de documentos técnicos da obra, análise de compatibilidade da intervenção com a preservação do patrimônio e eventual suspensão cautelar dos trabalhos caso sejam identificados riscos irreversíveis.
A mobilização também ganhou apoio popular. Uma petição pública criada contra o asfaltamento do distrito já ultrapassou 177 assinaturas, reforçando a preocupação de moradores e apoiadores com a preservação histórica da comunidade.


