A cooperação entre Brasil e Estados Unidos na área de minerais críticos deve ganhar um novo capítulo nesta semana com a realização de um encontro estratégico em Brasília. O evento, marcado para terça-feira (26), reunirá representantes do governo brasileiro, executivos do setor mineral, parlamentares e integrantes da diplomacia americana para discutir oportunidades ligadas à exploração e ao processamento de minerais considerados essenciais para a nova economia global.
O destaque da agenda será a participação do encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, responsável pelo discurso de encerramento sobre parcerias bilaterais envolvendo terras raras e outros minerais estratégicos.
Terras raras colocam Brasil no centro de negociações internacionais
O “Diálogo sobre Minerais Críticos em Brasília” será promovido pela Amcham Brasil, pelo Citi e pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos. O encontro ocorre em meio ao crescimento mundial da demanda por minerais utilizados em setores como tecnologia, inteligência artificial, baterias, energia limpa e indústria de defesa.
O governo federal terá representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Agência Nacional de Mineração (ANM) e BNDES.
Também participarão parlamentares ligados à pauta mineral, incluindo os deputados Arnaldo Jardim e Joaquim Passarinho, além dos senadores Esperidião Amin e Wilder Morais.
Entre os executivos convidados está Ricardo Grossi, diretor de Operações da Serra Verde, mineradora instalada em Minaçu, em Goiás. A empresa é responsável pelo único projeto de terras raras em operação fora da Ásia e possui controle americano.
Relação entre Brasil e EUA volta a avançar no setor mineral
O encontro acontece em um momento de retomada das conversas entre Brasil e Estados Unidos após períodos de tensão diplomática. Em março, durante um fórum semelhante realizado em São Paulo, episódios políticos e divergências entre os dois governos dificultaram a aproximação entre as partes.
Na época, houve desgaste após a revogação do visto de um assessor do governo americano e também repercussões envolvendo um memorando assinado pelo então governador de Goiás, Ronaldo Caiado, relacionado à exploração de minerais críticos.
Nos últimos meses, porém, a relação voltou a avançar após a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca. Desde então, negociações técnicas foram retomadas para discutir possíveis acordos de investimento voltados à exploração e ao processamento de minerais estratégicos no território brasileiro.
O interesse internacional pelo setor cresce à medida que países buscam reduzir dependência da China, atualmente dominante na cadeia global de terras raras e minerais críticos.


