A proposta de criação da Terrabras, empresa estatal voltada para a exploração e o refino de terras raras no Brasil, perdeu espaço no Congresso após ser retirada do parecer do projeto que trata da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
A exclusão foi feita pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator da matéria na Câmara dos Deputados, em um movimento que amplia o debate sobre o futuro da exploração desses minerais considerados essenciais para a indústria tecnológica e energética mundial.
Terrabras e o futuro das terras raras no Brasil
A ideia da Terrabras vinha sendo defendida principalmente pelo governo federal, que considera estratégica a criação de uma estrutura estatal capaz de impulsionar a exploração e o beneficiamento de terras raras dentro do território nacional.
Esses minerais são fundamentais para a fabricação de baterias, chips, equipamentos eletrônicos, veículos elétricos e diversas tecnologias ligadas à transição energética e à indústria digital.
Apesar do apoio do Palácio do Planalto, a proposta enfrenta resistência entre parlamentares que participam da construção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, incluindo integrantes da Câmara e lideranças como o presidente da Casa, Hugo Motta.
O tema ganhou ainda mais força após a recente aquisição da Serra Verde pela empresa norte-americana USA Rare Earth. Atualmente, a Serra Verde é a única operação brasileira em atividade na exploração de terras raras no país.
A movimentação acendeu um sinal de alerta dentro do governo, que defende que o Brasil não se limite apenas à exportação de matéria-prima, mas avance também no refino e na industrialização desses minerais em território nacional.
A avaliação é de que manter toda a cadeia produtiva no país reduziria a dependência externa, fortaleceria a indústria brasileira e aumentaria o valor agregado da produção mineral.
Dentro desse cenário, a Terrabras era vista como uma ferramenta importante para estimular um setor ainda considerado pouco desenvolvido no Brasil, especialmente pela falta de investimentos privados e pela baixa capacidade atual de processamento industrial.
A proposta previa que o Estado atuasse como agente de fomento, ajudando a estruturar a cadeia produtiva e incentivando o crescimento da exploração mineral estratégica no país.
Com a retirada da estatal do parecer, o debate sobre o controle e o futuro das terras raras no Brasil deve continuar ganhando força no Congresso e também dentro do governo federal.


