sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Mineração

Empresa dos EUA adquire mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bilhões e amplia disputa global por minerais estratégicos

Negócio com terras raras reforça estratégia dos EUA para reduzir dependência da China e coloca o Brasil no centro da disputa por minerais críticos

Por Isis Kelem de Oliveira20 de abril de 2026 · 23:56Leitura de 1 min
Negócio com terras raras reforça estratégia dos EUA para reduzir dependência da China e coloca o Brasil no centro da disputa por minerais críticos
Foto: divulgação – Negócio com terras raras reforça estratégia dos EUA para reduzir dependência da China e coloca o Brasil no centro da disputa por minerais críticos

A USA Rare Earth anunciou a aquisição da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil, em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões. A transação combina pagamento em dinheiro e emissão de ações e deve ser concluída no terceiro trimestre de 2026.

Estrutura do negócio e impacto imediato

Pelos termos do acordo, a USA Rare Earth pagará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá 126,9 milhões de novas ações. O mercado reagiu rapidamente: os papéis da companhia na Nasdaq subiram 8,3% no pré-mercado, elevando sua capitalização para cerca de US$ 4,4 bilhões.

Além disso, a Serra Verde firmou um contrato estratégico de 15 anos para fornecer 100% da produção inicial de sua mina a uma entidade financiada pelo governo dos Estados Unidos e investidores privados — movimento que reforça a tentativa americana de reduzir a dependência da Ásia nesse setor.

Disputa global por terras raras se intensifica

A mina da Serra Verde, localizada no norte de Goiás, atualmente exporta toda sua produção para a China, país que domina cerca de 60% da extração e 90% do refino global de terras raras. No entanto, a empresa já vinha reestruturando contratos para atender clientes ocidentais, sinalizando uma mudança geopolítica relevante.

Com a aquisição, a USA Rare Earth pretende integrar toda a cadeia produtiva — da mineração ao processamento — tanto de terras raras leves quanto pesadas, essenciais para tecnologias estratégicas como veículos elétricos, energia renovável e sistemas de defesa.

A operação reforça o papel do Brasil no tabuleiro global de minerais críticos e evidencia uma nova fase de disputa entre grandes potências por segurança energética e tecnológica.