O Brasil deu um novo passo para ampliar a cooperação regional em torno dos minerais críticos, matérias-primas consideradas estratégicas para tecnologias ligadas à transição energética. Um acordo firmado entre o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) prevê estudos para avaliar como Brasil, países do Mercosul e Chile podem integrar suas capacidades minerais e industriais.
A cooperação terá duração inicial de 12 meses, sem necessidade de reembolso, e deverá produzir um diagnóstico sobre os recursos disponíveis na região e as possibilidades de transformá-los em cadeias produtivas compartilhadas.
Minerais críticos entram no centro da estratégia regional
Entre os primeiros trabalhos previstos está o levantamento do potencial mineral dos países participantes. A análise também deverá considerar a demanda mundial por minerais estratégicos relacionados à transição energética até 2050, período em que a procura por matérias-primas utilizadas em baterias, veículos elétricos, redes de energia e fontes renováveis tende a ganhar ainda mais relevância.
A proposta não se limita à identificação de jazidas. O objetivo é verificar em quais etapas da cadeia os países podem atuar conjuntamente, incluindo pesquisa tecnológica, processamento, produção e regulamentação.
O acordo também prevê a criação de uma base regional de informações sobre minerais e uma comparação entre as legislações dos países envolvidos. A iniciativa poderá identificar diferenças regulatórias que dificultem projetos conjuntos e apontar caminhos para facilitar a integração entre os mercados.
Outro resultado esperado é uma carteira inicial de projetos considerados estratégicos, formada a partir das oportunidades encontradas durante os estudos. Oficinas técnicas também deverão ser realizadas para discutir e validar as conclusões.
América do Sul busca agregar valor aos recursos minerais
A articulação acontece enquanto o Brasil procura ampliar sua participação nas cadeias internacionais de minerais críticos e reduzir a dependência de um modelo concentrado na exportação de matérias-primas sem maior processamento.
A região possui diferentes vantagens competitivas. Argentina e Chile têm forte presença nos mercados de lítio e cobre, enquanto a Bolívia possui grandes recursos de lítio e busca avançar no processamento desse mineral.
O Brasil, por sua vez, apresenta uma das maiores diversidades minerais da região, com destaque para nióbio, grafite, níquel e terras raras, além de reservas e projetos relacionados a lítio e cobre. Paraguai e Uruguai possuem uma atividade mineral de menor escala, mas também apresentam recursos que podem integrar futuras estratégias regionais.
O acordo entre o MME e a CAF foi assinado em 6 de agosto, pelo secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral substituto, Anderson Barreto Arruda, e por um representante da instituição financeira.


