A Amazônia Legal concentra parte significativa da atividade mineral brasileira e responde por uma parcela expressiva do valor gerado pelos minerais estratégicos no país. Mesmo com esse protagonismo, a região ainda enfrenta desafios para diversificar sua produção, conforme aponta um estudo divulgado pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
O levantamento revela que, embora a exploração esteja fortemente concentrada em minério de ferro, bauxita, cobre e ouro, minerais considerados fundamentais para o desenvolvimento de setores estratégicos, como cobalto, terras raras e potássio, ainda não são produzidos na região.
Amazônia Legal reúne dados sobre investimentos e produção mineral
Intitulado “Amazônia Legal: Minerais Críticos e Estratégicos – Diagnóstico Setorial”, o estudo apresenta um panorama da atividade mineral na região, reunindo informações sobre direitos minerários, produção, investimentos, arrecadação de royalties, comércio exterior e os principais projetos em andamento.
O material foi elaborado pela Superintendência de Economia Mineral e Geoinformação (SEG) da ANM e tem como objetivo contribuir para os debates relacionados à construção de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
Os dados mostram que, entre 2006 e 2024, foram aplicados R$ 40,4 bilhões em minas e usinas de beneficiamento de minerais estratégicos na Amazônia Legal, desconsiderando os investimentos destinados ao minério de ferro. Somente em 2024, os maiores aportes foram direcionados ao cobre (31,3%), níquel (19,8%), alumínio (18,7%), ouro (17,2%) e manganês (11,3%).
Estudo aponta ausência de minerais considerados estratégicos
Além dos investimentos em produção, o levantamento informa que a pesquisa mineral recebeu R$ 4,9 bilhões entre 2003 e 2024. A maior parte desses recursos foi destinada à exploração de ouro, que concentrou 65,8% dos investimentos, seguida pelo cobre, com 19,1%.
Apesar desse volume de recursos, o diagnóstico destaca que a Amazônia Legal ainda não possui produção de minerais considerados estratégicos para o futuro da indústria e da transição energética, como potássio, terras raras e cobalto. Segundo a ANM, esse cenário reforça a necessidade de ampliar os estudos e incentivar novos projetos voltados à diversificação da atividade mineral na região.


