A mineradora australiana Centaurus Metals identificou 21 novos alvos com potencial de mineralização de cobre e ouro na região de Carajás, no sudeste do Pará. Os resultados fazem parte de uma campanha de exploração mineral realizada em uma área de aproximadamente 75 quilômetros quadrados, próxima a importantes operações da Vale, em uma das principais províncias minerais do Brasil.
As informações, divulgadas pela companhia na sexta-feira (23), indicam a presença de concentrações expressivas dos dois metais em diferentes pontos das áreas pesquisadas. Entre os destaques estão amostras com teores de até 17,2% de cobre e 45 gramas de ouro por tonelada, resultados que reforçam o interesse da mineradora em avançar com novas investigações geológicas.
Dos 21 alvos identificados, oito estão localizados em Rio Novo, área incorporada ao projeto no final de 2025, enquanto os outros 13 foram mapeados em Boi Novo, onde a Centaurus já desenvolvia atividades exploratórias.
A incorporação de Rio Novo praticamente dobrou a área de pesquisa da companhia na região, ampliando as possibilidades de identificação de novos depósitos minerais.
Apesar dos resultados considerados promissores, a empresa ressalta que os trabalhos ainda estão em fase exploratória. As concentrações identificadas em amostras de superfície não representam, necessariamente, a existência de reservas minerais economicamente viáveis.
Amostras apresentam concentrações elevadas de cobre e ouro
Entre os principais resultados apresentados pela Centaurus Metals estão os registros obtidos na área de Solimões, onde amostras históricas de rocha apresentaram concentrações de até 17,2% de cobre e 14,3 gramas de ouro por tonelada.
Em Juruá, novas coletas identificaram teores de ouro de até 45 gramas por tonelada, resultado que colocou a área entre os pontos de maior interesse para a continuidade das pesquisas.
Para efeito de comparação, o teor de 45 gramas por tonelada significa que a amostra analisada apresentou uma concentração equivalente a 45 gramas de ouro em uma tonelada de material. Isso, entretanto, não significa que toda a área pesquisada apresente a mesma concentração.
Os resultados pontuais precisam ser complementados por sondagens e análises geológicas para determinar a extensão, a continuidade e a distribuição dos minerais em profundidade.
Outro destaque foi a identificação de dois possíveis corredores de mineralização de cobre, cada um com aproximadamente cinco quilômetros de extensão. Essas estruturas poderão orientar as próximas etapas de investigação, especialmente na seleção de pontos prioritários para perfuração.
A existência de corredores mineralizados pode indicar continuidade de sistemas geológicos favoráveis à concentração de metais, mas sua dimensão e seu potencial econômico ainda dependem de confirmação.
Mais de 4,5 mil amostras de solo foram analisadas
A campanha exploratória envolveu a coleta de mais de 4.500 amostras de solo, além da realização de levantamentos geofísicos e trabalhos de mapeamento geológico.
A combinação dessas técnicas permitiu identificar anomalias geoquímicas e estruturas consideradas favoráveis à ocorrência de cobre e ouro, contribuindo para a delimitação dos 21 alvos.
Os levantamentos geofísicos também auxiliaram na interpretação das características do subsolo, permitindo à equipe técnica estabelecer prioridades para as próximas etapas.
Com a conclusão dessa fase, a Centaurus pretende avançar para uma nova campanha de sondagens, que deverá investigar a continuidade da mineralização abaixo da superfície.
As perfurações serão fundamentais para determinar a espessura das zonas mineralizadas, a distribuição dos teores e a possibilidade de desenvolvimento de recursos minerais.
Somente após etapas adicionais de pesquisa, modelagem geológica e avaliação econômica será possível determinar se os resultados poderão sustentar um futuro empreendimento de mineração.
Proximidade com operações da Vale pode favorecer logística
Os projetos Boi Novo e Rio Novo estão localizados a aproximadamente 30 quilômetros de Parauapebas, município que concentra parte das principais atividades de mineração da região de Carajás.
Segundo a Centaurus, as áreas pesquisadas ficam a cerca de 35 quilômetros de uma instalação de carregamento de cobre e ouro da Vale e a menos de 20 quilômetros de uma planta de processamento de cobre da CoreX.
A localização é considerada estratégica pela proximidade com uma região que já dispõe de infraestrutura voltada à atividade mineral, incluindo rodovias, instalações industriais e serviços especializados.
Essa condição pode representar uma vantagem logística caso as pesquisas confirmem depósitos com potencial de aproveitamento comercial.
Entretanto, a proximidade geográfica não garante acesso às instalações existentes. Uma eventual utilização de infraestrutura de terceiros dependeria de avaliações técnicas, capacidade operacional e possíveis acordos comerciais.
A região de Carajás é reconhecida internacionalmente por sua elevada concentração de recursos minerais, especialmente ferro, cobre, ouro, níquel e manganês, atraindo investimentos de empresas brasileiras e estrangeiras.
Projeto Jaguar continua como prioridade da mineradora
Embora esteja ampliando suas atividades de exploração de cobre e ouro, a Centaurus Metals mantém como principal prioridade o avanço do Projeto Jaguar, empreendimento de níquel também localizado no Pará.
O projeto é considerado um dos principais ativos de níquel em desenvolvimento no Brasil e ocupa posição central na estratégia de crescimento da companhia.
Segundo o diretor-presidente da Centaurus, Darren Gordon, a empresa continua concentrada em conduzir Jaguar até uma decisão final de investimento, etapa que determinará se o empreendimento avançará para implantação.
Paralelamente, a mineradora busca ampliar o valor de seu portfólio por meio da identificação de novas oportunidades minerais, especialmente em cobre e ouro.
A diversificação ocorre em um cenário de crescente demanda internacional por cobre, metal amplamente utilizado na fabricação de equipamentos elétricos, redes de transmissão, veículos eletrificados e infraestrutura energética.
O ouro, por sua vez, mantém importância tanto na indústria quanto no mercado financeiro, sendo tradicionalmente utilizado como reserva de valor e matéria-prima para diferentes aplicações.
Novas sondagens deverão definir potencial das descobertas
Com os resultados da campanha geológica, a Centaurus Metals prepara uma nova etapa de sondagens nas áreas de Boi Novo e Rio Novo.
O objetivo será testar os alvos considerados mais promissores e obter informações mais detalhadas sobre a distribuição e a continuidade das mineralizações identificadas.
Até o momento, a companhia não divulgou um cronograma definitivo para o início das perfurações nem o volume de investimentos previsto para essa fase.
Os resultados representam um avanço na identificação de novas oportunidades de exploração mineral em Carajás, mas ainda não permitem estimar o volume de recursos disponíveis ou projetar uma futura produção comercial.
A confirmação do potencial econômico dependerá dos resultados das próximas campanhas de sondagem, que deverão indicar se as concentrações de cobre e ouro identificadas em superfície se estendem em profundidade e apresentam características compatíveis com o desenvolvimento de uma operação minerária.

