A Vale não possui mais barragens classificadas em nível de emergência em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A mudança ocorreu após a Agência Nacional de Mineração (ANM) encerrar, em outubro, o nível de emergência da estrutura B7A, localizada na Mina de Águas Claras (MAC). A decisão veio depois da conclusão das obras de descaracterização, finalizadas em junho.
Com a intervenção, a estrutura deixou de exercer a função de barragem e não acumula mais água ou sedimentos. A companhia informou que iniciou os procedimentos de monitoramento previstos na legislação para a etapa posterior à conclusão das obras.
Para a gerente-geral de Geotecnia da Vale, Angélica Silva, a retirada da última estrutura em emergência do município representa “um marco importante” e reflete um trabalho contínuo voltado à segurança. Ela também relacionou os avanços na mina à “abertura gradual do território”, com a disponibilização progressiva de novos espaços à sociedade.
Vale avança na descaracterização de barragens na Mina de Águas Claras
A conclusão das obras na B7A integra um conjunto mais amplo de intervenções conduzidas pela Vale na Mina de Águas Claras. A empresa já finalizou a descaracterização da barragem 8B e do dique auxiliar da barragem 5.
Outras estruturas seguem em diferentes etapas. Os projetos para a 7B e a 5-MAC estão em desenvolvimento, enquanto as obras na barragem B6 começaram em 2026, com previsão de conclusão para o segundo semestre de 2027.
As intervenções fazem parte do Plano Ambiental de Fechamento de Mina (PAFEM), instrumento que estabelece as diretrizes para o encerramento seguro das estruturas e a recuperação ambiental da área. O planejamento também considera os usos que poderão ser destinados ao território após o fechamento das operações.
A descaracterização busca retirar das estruturas a função de barragem, conforme os projetos técnicos e os procedimentos aplicáveis a cada empreendimento. O encerramento de um nível de emergência, por sua vez, é uma decisão regulatória específica e não deve ser confundido, isoladamente, com a conclusão de todas as etapas de fechamento de uma mina.
Área da Mina de Águas Claras poderá receber atividades de lazer e turismo
Paralelamente às obras, a Vale desenvolve um projeto para o uso futuro da Mina de Águas Claras. A proposta prevê a transformação gradual do território para atividades de conservação ambiental, esporte, lazer, cultura e turismo sustentável.
Segundo a companhia, aproximadamente 93% dos mais de 1.900 hectares da área estão destinados à conservação da biodiversidade. A estratégia busca conciliar a recuperação ambiental com novas possibilidades de utilização do espaço pela sociedade.
A evolução do projeto dependerá das etapas de planejamento, recuperação e implantação previstas para o território. A iniciativa representa uma nova fase para a área da mina, que passa a ter seu futuro associado não apenas ao encerramento das atividades minerárias, mas também à conservação ambiental e à criação de oportunidades de uso público sustentável.


