As ações da Vale negociadas nos Estados Unidos entraram no radar dos investidores após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um novo mandato presidencial. Os papéis da mineradora registravam queda de 4,4% na noite de domingo (25), em meio a uma forte reação negativa de ativos brasileiros no mercado internacional.
O movimento ocorreu após um resultado eleitoral que contrariou parte das expectativas dos investidores. Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno na liderança, foi derrotado no segundo turno e não reconheceu o resultado.
A reação atingiu diferentes empresas brasileiras negociadas no exterior e também fundos que acompanham o desempenho do mercado nacional. Entre os ativos mais pressionados estavam Petrobras, bancos, Nubank e Mercado Livre.
Vale acompanha pressão sobre ativos brasileiros
Os American Depositary Receipts (ADRs) da Vale recuavam 4,4% por volta das 22h de domingo. Os recibos permitem que investidores negociem nos Estados Unidos papéis vinculados a empresas brasileiras.
A queda da mineradora ocorreu em um ambiente de forte aversão ao risco entre investidores que acompanham o Brasil. No mesmo período, o principal ETF brasileiro negociado em Nova York, o iShares MSCI Brasil (EWZ), apresentava baixa de 19,63%.
A Petrobras aparecia entre os ativos de maior destaque na reação do mercado, com seus ADRs chegando a registrar queda de aproximadamente 12% no mesmo horário.
O movimento não ficou restrito aos Estados Unidos. Na Bolsa de Tóquio, o Next Funds Ibovespa Linked, ETF que acompanha o desempenho do Ibovespa, operava com baixa de 11,80%.
Mercado reage à nova configuração política do Brasil
Além da Vale e da Petrobras, outras companhias brasileiras registravam perdas expressivas no mercado internacional. O Itaú Unibanco recuava 28,5%, enquanto o Bradesco apresentava queda de 26,8%. O Nubank perdia 24% e o Mercado Livre registrava baixa de 10,3%.
O EWZ também ampliava as perdas ao longo da sessão, chegando a recuar 26% no pré-mercado desta segunda-feira (26), segundo os dados citados no levantamento.
A forte movimentação reflete a reação inicial dos investidores ao novo cenário político brasileiro após a eleição. Para empresas como a Vale, que possuem ações negociadas no exterior e forte exposição aos mercados globais de commodities, o comportamento dos ativos também é influenciado por fatores externos, como demanda internacional, preços do minério de ferro, câmbio e perspectivas para a economia chinesa.
Nesse cenário, a queda registrada após o resultado eleitoral representa uma reação imediata dos mercados e não, isoladamente, uma indicação sobre o desempenho futuro da mineradora.


