O caroço de açaí, um dos principais resíduos gerados pelo processamento do fruto no Pará, está ganhando uma nova função dentro da indústria do alumínio. A Hydro desenvolveu, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), estudos para utilizar o material como biomassa na Alunorte, em Barcarena, reduzindo gradualmente a dependência de carvão mineral em uma etapa do processo industrial.
A iniciativa começou a ser estudada em 2022 e avançou dos testes iniciais para uma aplicação operacional na refinaria. Desde o início do projeto, a Alunorte já processou aproximadamente 279 mil toneladas de caroço de açaí.
A biomassa é utilizada pelo seu potencial calorífico, podendo alimentar as caldeiras responsáveis por uma importante etapa da produção de alumina. A solução também cria uma alternativa para um resíduo que, em grande parte, seria descartado após o processamento do fruto.
Caroço de açaí ganha espaço na operação da Alunorte
O volume utilizado pela refinaria cresceu de forma significativa desde o início dos testes. Em 2023, foram consumidas 24 mil toneladas da biomassa. No ano seguinte, o volume chegou a 73,5 mil toneladas e alcançou 104,6 mil toneladas em 2025.
Entre janeiro e setembro de 2026, a Alunorte já havia utilizado cerca de 75 mil toneladas do material. A evolução dos volumes acompanha o avanço dos estudos e a comprovação da viabilidade técnica da aplicação na operação industrial.
O projeto reúne pesquisadores da UFPA e especialistas da Hydro em uma frente voltada ao desenvolvimento de alternativas renováveis para geração térmica. A companhia também trabalha nas etapas de engenharia necessárias para ampliar a utilização da biomassa e substituir parte do carvão mineral empregado na refinaria.
Pará concentra matéria-prima para nova matriz energética
A disponibilidade do caroço é um dos fatores que favorecem a expansão da iniciativa. O Pará responde por 89,5% da produção brasileira de açaí. Em 2025, o estado produziu aproximadamente 1,87 milhão de toneladas do fruto, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A maior parte do açaí não é transformada em polpa. Cerca de 80% a 90% do fruto, considerando principalmente sementes e cascas, permanece como resíduo após o processamento. Isso gera um volume expressivo de material que precisa encontrar destinação adequada.
Nesse cenário, o projeto desenvolvido pela Hydro transforma um resíduo abundante no estado em uma fonte de energia para a indústria. Além de reduzir a necessidade de carvão mineral, a iniciativa cria uma alternativa de aproveitamento para um material que poderia se tornar um passivo ambiental.
A utilização do caroço de açaí faz parte da estratégia de descarbonização da Alunorte. A empresa pretende ampliar os estudos e investimentos em soluções capazes de tornar sua matriz energética mais sustentável, conectando uma cadeia produtiva tradicional da Amazônia a uma aplicação industrial de maior valor agregado.


