A aprovação da nova política brasileira para minerais críticos abre uma corrida por respostas sobre o futuro da mineração no país. Poucas semanas depois da sanção da Lei 15.506/2026, Brasília recebe um seminário que pretende discutir justamente o que vem depois da criação do novo marco para esses recursos estratégicos.
O encontro “Minerais Críticos: da Nova Lei à Transformação Industrial”, promovido pelo Instituto Diálogos, reunirá representantes do governo, empresas, especialistas e profissionais ligados à mineração e ao desenvolvimento tecnológico. A proposta é discutir como o Brasil pode transformar sua vantagem geológica em investimentos, indústria e produtos de maior valor agregado.
A senadora Tereza Cristina, presidente do Conselho de Administração do Instituto Diálogos, fará a abertura do evento. A instituição afirma que seus seminários são voltados ao debate plural e apartidário sobre temas relevantes para o Brasil e o cenário internacional.
Minerais críticos entram no centro da disputa por investimentos
Ter grandes reservas minerais não garante, por si só, que o país consiga capturar toda a riqueza gerada por esses recursos. O desafio colocado pela nova política é avançar em etapas como processamento, refino, tecnologia e industrialização.
Esse movimento exige capital, infraestrutura, conhecimento tecnológico e acesso a mercados. Por isso, o seminário deverá discutir também a formação de alianças internacionais capazes de aproximar o Brasil de investidores, empresas e centros de tecnologia.
Outro ponto em debate será a relação entre o ambiente regulatório e a disposição do setor privado em financiar novos projetos. A discussão envolve a necessidade de criar condições que reduzam incertezas e, ao mesmo tempo, permitam ao Estado estabelecer mecanismos de controle compatíveis com o desenvolvimento da atividade mineral.
A indústria nacional também aparece como parte importante dessa equação. A transformação dos minerais críticos dentro do próprio país pode ampliar a participação brasileira em cadeias produtivas estratégicas e reduzir a dependência de etapas realizadas no exterior.
Governo e setor mineral discutem os próximos passos
A programação contará com nomes de diferentes áreas ligadas à política mineral, mineração, relações internacionais e inovação. Entre os participantes confirmados estão Anderson Barreto Arruda, do Ministério de Minas e Energia; Pablo Cesário, diretor-presidente interino do IBRAM; Julio Nery, diretor de Assuntos Minerários e Sustentabilidade do instituto; Rafaela Guedes, Senior Fellow do CEBRI; e Frederico Bedran Oliveira, diretor-executivo da Associação de Minerais Críticos.
Também participarão José Augusto Palma, vice-presidente executivo da Aclara Resources, empresa voltada ao segmento de terras raras; Marcos Berton, do Instituto SENAI de Inovação em Eletroquímica; Marisa Cesar, da PLS Brasil e presidente do Conselho da AMC; e Rodrigo Toledo Cabral Cota, servidor público cedido ao Senado Federal e ex-diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia.
A presença de representantes de diferentes segmentos pretende colocar na mesma mesa questões que costumam ser tratadas separadamente, como financiamento, inovação, políticas públicas, exploração mineral e industrialização.
As discussões realizadas durante os painéis serão posteriormente organizadas pelo Instituto Diálogos em uma publicação. O material deverá reunir contribuições que possam subsidiar tanto a formulação de políticas públicas quanto iniciativas do setor privado.
O seminário conta com o patrocínio do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), por meio do Sistema Senar CNA.


