Seis estruturas ligadas à Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa federal responsável por atividades do ciclo do combustível nuclear, aparecem no Boletim Mensal de Segurança de Barragens de Mineração da Agência Nacional de Mineração (ANM), com referência a 1º de junho de 2026. Os registros envolvem unidades em Caetité, na Bahia, e Caldas, em Minas Gerais.
Em Caetité, estão listadas as estruturas TQ 6301 A, TQ 6301 B e TQ 6302. Já em Caldas aparecem a Bacia Nestor Figueiredo e a Barragem D4. As cinco constam na classificação de Nível de Emergência 1. A Barragem de Rejeitos (BAR), também localizada em Caldas, aparece na categoria de Nível de Alerta.
Os dados colocam estruturas associadas à produção e ao processamento de urânio sob acompanhamento dentro do sistema de segurança de barragens da ANM. A classificação, porém, precisa ser interpretada de acordo com os critérios técnicos previstos na regulamentação.
Barragens da INB têm classificação que exige acompanhamento
O registro de uma estrutura em Nível de Emergência 1 não significa, por si só, que tenha ocorrido vazamento, contaminação ou liberação de material radioativo. Também não representa uma previsão de rompimento ou uma confirmação de ameaça à população das cidades onde estão localizadas as estruturas.
A classificação segue os critérios estabelecidos pela Resolução ANM nº 95/2022. Dentro da escala de níveis de emergência, o Nível 1 corresponde ao estágio inicial, antes dos níveis 2 e 3.
O próprio boletim referente ao período mostra movimentações nas classificações. Duas outras estruturas de Caetité deixaram a condição de emergência e tiveram a categoria de risco alterada de Alto para Médio.
O cenário, portanto, envolve monitoramento e acompanhamento técnico das estruturas, e não uma confirmação de acidente ou de exposição da população.
Mina de urânio voltou a produzir após investimento de R$ 531 milhões
Caetité ocupa uma posição estratégica no setor nuclear brasileiro por abrigar a única mina de urânio em operação da América Latina. A retomada das atividades ocorreu com o projeto da Mina Engenho, após a paralisação da mineração na região em 2015, quando as reservas lavráveis da Mina Cachoeira se esgotaram.
A reabertura recebeu investimentos de R$ 531 milhões e permitiu que o Brasil retomasse a produção nacional de concentrado de urânio, conhecido como yellowcake. A primeira produção após a retomada ocorreu em dezembro de 2020.
A presença das estruturas da INB no boletim da ANM chama atenção justamente pelo papel estratégico de Caetité na cadeia nacional do urânio e pela importância do acompanhamento das barragens associadas às atividades minerais.
Os dados, contudo, não indicam que as estruturas tenham apresentado um rompimento ou que exista, a partir dessas classificações, uma confirmação de risco radiológico para moradores de Caetité ou Caldas.


