A Vale recebeu autorização da Justiça de Minas Gerais para iniciar a retomada parcial das atividades na Mina de Fábrica, em Ouro Preto. A operação estava interrompida desde janeiro de 2026, após um incidente envolvendo a Cava Área 18. A liberação ocorre sob condições específicas de segurança e controle ambiental previstas em um Termo de Compromisso firmado entre a mineradora, o Ministério Público Estadual e o Governo de Minas.
A companhia informou que o retorno parcial das atividades não altera suas projeções de produção. A retomada, no entanto, está condicionada ao cumprimento das licenças, autorizações, condicionantes e demais medidas estabelecidas no acordo.
Mina de Fábrica ficou parada após extravasamento de 262 mil m³
O episódio que levou à paralisação ocorreu em 25 de janeiro, quando houve o colapso de uma estrutura na Cava Área 18, também identificada nos documentos do licenciamento como Cava Segredo ou Cava Ponto 2. Cerca de 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos foram extravasados, alcançando áreas operacionais, propriedades vizinhas e cursos d’água da bacia do Paraopeba.
Entre os locais atingidos estavam o Córrego Água Santa e o Rio Maranhão, afluente do Rio Paraopeba. Na ação apresentada à Justiça, o Ministério Público de Minas Gerais apontou falhas no sistema de drenagem e o uso inadequado da cava como estrutura para armazenamento de água e rejeitos como fatores relacionados ao episódio.
Após o incidente, a Justiça determinou a suspensão das operações do Complexo de Fábrica e estabeleceu uma série de medidas emergenciais voltadas à contenção dos impactos, ao monitoramento da qualidade da água e à segurança das estruturas.
Retomada da Vale terá exigências ambientais e de segurança
A autorização atual permite apenas uma retomada parcial, que deverá seguir as condições estabelecidas no Termo de Compromisso e as determinações dos órgãos responsáveis.
A Vale também mantém ações de monitoramento e intervenções na área afetada. Entre as medidas divulgadas pela empresa estão o acompanhamento dos níveis da Cava 18 em tempo real, videomonitoramento, intervenções na estrutura e trabalhos de limpeza e desassoreamento.
O complexo também reúne outras estruturas que permanecem sob acompanhamento. Em agosto, por exemplo, a Agência Nacional de Mineração reduziu de 2 para 1 o nível de emergência da barragem Forquilha I, localizada na Mina de Fábrica, após avanços em estudos geotécnicos, investigações e melhorias na instrumentação da estrutura.
Com a autorização judicial, a Vale poderá reativar parte das atividades da Mina de Fábrica, mas a continuidade da operação permanece vinculada ao cumprimento das exigências ambientais, de segurança e das medidas previstas no compromisso firmado com as autoridades.


