Um projeto de pesquisa mineral conduzido pelo Grupo Transcap pretende abrir uma nova frente para a mineração no Triângulo Mineiro e também avançar em áreas do Mato Grosso. Batizado de Projeto Monte Sinai, o empreendimento já reúne direitos de pesquisa em seis propriedades próprias da família, que somam aproximadamente 9 mil hectares.
A proposta foi apresentada por Paulo Roberto do Nascimento Filho, CEO do Grupo Transcap, durante a Exposibram 2026, em entrevista ao Cidades & Minerais. Segundo o executivo, a iniciativa ainda está em fase de construção e depende dos estudos científicos para confirmar quais recursos minerais existem efetivamente nas áreas.
A estratégia, de acordo com Paulo Roberto, é manter o controle sobre todo o processo e conduzir a pesquisa dentro de critérios ambientais, sociais e legais. As seis áreas — cinco em Minas Gerais e uma em Santa Cruz do Xingu, no Mato Grosso — são propriedades do próprio grupo e tiveram os registros de pesquisa protocolados junto à Agência Nacional de Mineração (ANM).
Projeto Monte Sinai mira minerais críticos e novas fronteiras de pesquisa
O Grupo Transcap possui trajetória de cerca de seis décadas ligada ao agronegócio, transporte, logística e armazenamento. Com origem em Capinópolis, no Triângulo Mineiro, a empresa familiar ampliou suas atividades para outras regiões e passou a trabalhar também com produção agroindustrial.
Agora, a família pretende levar essa experiência para o setor mineral. O Projeto Monte Sinai concentra pesquisas em duas regiões consideradas estratégicas pelo grupo: o Vale do Paranaíba, em Minas Gerais, e a região do Xingu, em Mato Grosso.
Paulo Roberto afirma que existe potencial para a ocorrência de minerais críticos, terras raras e outros recursos, mas ressalta que qualquer conclusão dependerá da comprovação científica.
O executivo também relata que o grupo vem buscando aproximação com instituições científicas e governamentais. Entre as iniciativas citadas estão reuniões com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), FAPESP e representantes ligados à Organização das Nações Unidas.
A intenção é que o Monte Sinai não seja apenas uma operação de pesquisa mineral, mas possa se transformar em uma referência de exploração responsável, caso os estudos confirmem a existência de depósitos economicamente relevantes.
Outro ponto destacado é a possibilidade de participação de parceiros estrangeiros no futuro. Segundo Paulo Roberto, eventual negociação envolvendo terras raras ou outros minerais deverá seguir critérios alinhados à legislação brasileira e à proteção dos interesses nacionais.
Triângulo Mineiro busca espaço além do agronegócio
Para o CEO da Transcap, o potencial do Triângulo Mineiro não está restrito à produção agropecuária. A região também poderia ganhar relevância com novos investimentos em mineração e infraestrutura logística.
Ele defende a ampliação da integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias, aproveitando especialmente a presença do Rio Paranaíba e a conexão com a Hidrovia Paraná-Tietê e a Ferrovia Norte-Sul.
Na avaliação do empresário, a região possui uma posição estratégica para conectar áreas produtoras a grandes centros consumidores e portos. Entre as possibilidades citadas estão ferrovias vicinais ligando municípios do Triângulo Mineiro ao sistema ferroviário existente.
Paulo Roberto também chama atenção para a dimensão do agronegócio regional. Segundo ele, o conjunto formado por municípios como Capinópolis, Ituiutaba, Centralina, Canápolis, Cachoeira Dourada, Ipiaçu e Araporã possui grande capacidade produtiva e poderia avançar ainda mais com investimentos em infraestrutura e irrigação.
A expectativa do executivo é que o Triângulo Mineiro passe a receber maior atenção nas políticas públicas estaduais e federais. Para ele, a combinação entre produção agrícola, potencial mineral e infraestrutura logística poderia gerar uma transformação econômica regional com impactos que ultrapassariam as fronteiras de Minas Gerais.
O Projeto Monte Sinai ainda depende do avanço das pesquisas para confirmar a existência e a dimensão dos recursos minerais nas áreas registradas. Enquanto isso, o Grupo Transcap afirma que pretende manter uma condução gradual do empreendimento, ampliando os estudos e as parcerias antes de tomar decisões sobre uma eventual etapa de exploração.


