A mineração de ferro em Carajás, no Pará, está avançando em direção a uma operação cada vez mais automatizada. Vale, Caterpillar e Sotreq iniciaram uma nova etapa de capacitação voltada à ampliação do uso de caminhões autônomos nas operações de minério de ferro da região.
A previsão é que aproximadamente 2 mil empregados sejam preparados até o final deste ano para atuar nas unidades de Carajás Serra Norte, em Parauapebas, e Serra Sul, em Canaã dos Carajás. A formação envolve profissionais de diferentes áreas, incluindo operação, manutenção, planejamento, liderança e controle dos sistemas de autonomia.
Mais do que ensinar a conduzir ou acompanhar máquinas, o programa busca preparar os trabalhadores para uma mudança na própria dinâmica das minas, na qual equipamentos passam a executar determinadas atividades com menor intervenção humana direta.
2 mil empregados entram na preparação dos caminhões autônomos para a mineração autônoma
O treinamento combina conteúdo teórico com atividades práticas. Uma das etapas envolve a preparação para atuação nas chamadas Áreas de Zona Autônoma, espaços nos quais existem protocolos específicos para circulação de pessoas, comunicação entre equipamentos e interação segura com os caminhões que operam de forma autônoma.
Os empregados também recebem orientações relacionadas aos procedimentos de segurança e às formas de atuação das equipes que dão suporte às operações automatizadas.
A capacitação não está restrita aos profissionais que trabalham diretamente com os caminhões. Lideranças e equipes de apoio também fazem parte do processo, já que a introdução de sistemas autônomos exige mudanças na rotina operacional e na forma como as atividades são acompanhadas e planejadas.
A estratégia também acompanha o surgimento de novas funções dentro das operações minerais. São os chamados “mineradores modernos”, profissionais que passam a desempenhar tarefas relacionadas ao acompanhamento, controle e otimização dos equipamentos autônomos.
Novas profissões ganham espaço nas minas de Carajás
Entre as funções envolvidas nesse novo modelo estão controllers, builders e pit techs. Os profissionais que trabalham como controllers e builders atuam a partir do centro de controle, acompanhando as rotas percorridas pelos caminhões, virtualizando acessos e monitorando a interação entre os equipamentos e as atividades realizadas no campo.
Já os pit techs permanecem mais próximos da operação. Esses profissionais acompanham diretamente o ambiente da mina, verificam possíveis interferências e avaliam se o sistema autônomo está alcançando o desempenho esperado.
A expansão dessas atividades mostra que a automação não significa apenas substituir determinadas tarefas executadas manualmente. A tecnologia também cria novas necessidades profissionais, especialmente relacionadas ao controle remoto, análise operacional, acompanhamento de dados e gerenciamento da interação entre pessoas e máquinas.
Com a formação prevista para cerca de 2 mil empregados até o fim de 2026, Vale, Caterpillar e Sotreq buscam preparar as equipes para uma operação na qual caminhões autônomos terão participação cada vez maior no transporte de minério de ferro em Carajás.
O movimento reforça uma transformação que já vem ocorrendo na mineração: o trabalhador deixa de estar necessariamente no volante e passa a assumir funções de monitoramento, planejamento, controle e tomada de decisão, combinando conhecimento operacional com novas ferramentas tecnológicas.


