O potencial brasileiro em terras raras está despertando uma disputa cada vez maior entre empresas de mineração de diferentes países. Dono da segunda maior reserva conhecida desses minerais no mundo, o Brasil vem registrando uma forte aceleração no interesse de companhias estrangeiras pela exploração desse recurso considerado estratégico para a tecnologia, a transição energética e a indústria de defesa.
Os números da Agência Nacional de Mineração (ANM) mostram a dimensão desse movimento. Até junho de 2026, foram apresentados 2.727 requerimentos relacionados à exploração de terras raras no país. Desse total, 86% chegaram à Agência a partir de 2023, indicando que o interesse pelo potencial brasileiro ganhou força principalmente nos últimos anos.
Outro dado chama atenção: 42% dos pedidos pertencem a empresas com sede no exterior ou a subsidiárias de grupos estrangeiros. Austrália, Estados Unidos e Canadá estão entre os principais países de origem dessas companhias.
Terras raras colocam Brasil no radar da mineração internacional
As terras raras correspondem a um grupo formado por 17 elementos químicos que possuem aplicações em setores considerados estratégicos. Esses minerais estão presentes em tecnologias utilizadas na geração de energia, veículos eletrificados, equipamentos eletrônicos e também em produtos relacionados à indústria de defesa.
O crescimento dos requerimentos mostra que o Brasil deixou de ser visto apenas como um país com grande potencial mineral e passou a ocupar uma posição mais relevante na estratégia internacional de empresas que buscam garantir acesso a matérias-primas consideradas essenciais para as próximas décadas.
A movimentação também ocorre em um momento de transformação da matriz energética global e de aumento da demanda por tecnologias que dependem desses elementos. Para as mineradoras, identificar novas áreas e avançar nos projetos de pesquisa pode representar uma oportunidade de participação em um mercado com importância econômica e geopolítica crescente.
Empresas estrangeiras ampliam presença na busca por minerais estratégicos
A participação de companhias internacionais nos requerimentos registrados pela ANM evidencia que o interesse não está restrito às empresas brasileiras. Entre os investidores que aparecem nesse movimento estão grupos sediados na Austrália, nos Estados Unidos e no Canadá, além de empresas controladas ou vinculadas a companhias desses países.
O volume de solicitações concentrado nos últimos anos reforça a percepção de que a corrida pelas terras raras brasileiras ganhou velocidade. Ao mesmo tempo, a transformação de requerimentos de pesquisa em projetos efetivos de mineração dependerá de uma série de etapas técnicas, regulatórias e econômicas.
Para o Brasil, o avanço desse mercado abre a possibilidade de ampliar sua participação na cadeia global de minerais críticos. O desafio, porém, vai além de encontrar e extrair as reservas. O maior potencial econômico está associado à capacidade de desenvolver uma cadeia produtiva que agregue tecnologia e valor aos recursos minerais antes que eles deixem o país.


