Debate no Fórum LIDE Mineração destaca o potencial brasileiro em minerais críticos e terras raras

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O Brasil está diante de uma oportunidade que pode mudar o papel do país no mercado mundial de minerais estratégicos. A crescente procura por minerais críticos e terras raras vem abrindo espaço para novos investimentos e, ao mesmo tempo, aumentando a pressão para que o país deixe de ser apenas fornecedor de matéria-prima e avance em tecnologia, processamento e produção de maior valor agregado.

O tema esteve no centro do Fórum LIDE Mineração, realizado na sexta-feira (28), em São Paulo (SP), com a participação de empresários, especialistas e autoridades. O encontro discutiu justamente os caminhos para aproveitar o potencial geológico brasileiro em um cenário internacional marcado pela disputa por recursos fundamentais para a indústria e para a transição energética.

Entre os participantes esteve Pablo Cesário, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), que integrou o painel sobre o protagonismo brasileiro em minerais críticos ao lado de Gustavo Pimenta, CEO da Vale, Helga Franco, diretora de Relações Institucionais e Governamentais Federal, Normas e Gestão na Vale, e Kátia Abreu, senadora entre 2007 e 2023 e conselheira da Sigma Lithium.

Durante o debate, Cesário chamou atenção para a necessidade de transformar a vantagem natural brasileira em resultados concretos para a economia. “O país possui recursos minerais relevantes e capacidade empresarial e tecnológica para ampliar sua participação nas novas cadeias de fornecimento, mas precisa criar condições para transformar essa vantagem geológica em desenvolvimento econômico e industrial”, destacou.

Minerais críticos podem mudar a posição do Brasil no mercado internacional

A discussão ganhou ainda mais peso diante da concentração mundial da produção e do processamento de determinados minerais estratégicos. Poucos países controlam parcelas relevantes dessas cadeias, aumentando a preocupação de outras economias com segurança de abastecimento e diversificação de fornecedores.

Nesse cenário, o Brasil aparece com uma combinação considerada estratégica: grandes recursos minerais, empresas com capacidade de investimento e conhecimento técnico. O desafio está em criar um ambiente que permita transformar esse potencial em projetos competitivos e, principalmente, ampliar as etapas realizadas dentro do próprio país.

Para o IBRAM, uma das medidas necessárias é a construção de uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta envolve segurança regulatória, estímulo aos investimentos, mecanismos de financiamento e maior apoio à pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.

Gustavo Pimenta resumiu outro ponto central da discussão ao destacar que o problema do setor não está na falta de compradores. Para o CEO da Vale, “é uma indústria que tem vantagem em relação a todas as demais porque não há problema de demanda, ela é infinita. Nosso problema é oferta, a dificuldade de atender e trazer esses minerais para o mercado”, afirmou.

A declaração expõe um dos principais desafios para o Brasil: possuir recursos no subsolo não garante, por si só, participação relevante nas cadeias globais. É necessário colocar capital, infraestrutura, tecnologia e mão de obra qualificada em movimento para que as reservas se transformem em produção.

Geopolítica aumenta pressão por novas cadeias de fornecimento

O Fórum LIDE Mineração também colocou em discussão a dimensão geopolítica dos minerais críticos. A dependência de poucos fornecedores tornou esses recursos uma questão estratégica para governos e empresas que buscam reduzir riscos em suas cadeias industriais.

O segundo painel do evento foi dedicado justamente à corrida internacional por esses minerais e reuniu Ana Sanches, presidente do Conselho do IBRAM e CEO da Anglo American Brasil; Rafael Bittar, vice-presidente Técnico da Vale; o deputado federal Arnaldo Jardim; Renato Gonzaga, CEO da Borborema Recursos Estratégicos; além da moderação de Bruno Meyer, head do Lide Conteúdo, e Anderson Baranov, presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado do Pará (Simineral).

A presença de representantes de empresas, Legislativo e entidades do setor reforçou a dimensão estratégica que a mineração passou a ocupar nas discussões sobre indústria e soberania econômica.

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