O Brasil pode estar diante de uma nova corrida por minerais considerados estratégicos para a indústria mundial. Entre os investidores que acompanham esse movimento está a Appian Capital, gestora britânica que mantém as terras raras no radar brasileiro, mesmo sem projetos imediatos para explorar esses elementos no país.
O interesse ganha força em um momento em que as reservas brasileiras passaram a receber atenção internacional devido ao papel das terras raras em setores como veículos elétricos, energia renovável, eletrônica, defesa e tecnologias de alta complexidade.
O cenário chama ainda mais atenção porque o Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses elementos, mas praticamente não transformou esse potencial geológico em produção em larga escala.
Terras raras colocam Goiás no centro da disputa mineral
Goiás ocupa uma posição estratégica nessa história. O estado é atualmente o único do Brasil com uma mina de terras raras em operação, colocando o território goiano em uma posição privilegiada diante da crescente demanda global por esses elementos.
A Appian Capital acompanha oportunidades no segmento, mas, segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a estratégia atual da gestora no Brasil está concentrada principalmente em minerais associados à transição energética, como o níquel, além do grafite.
A movimentação ocorre justamente quando governos e empresas de diferentes países buscam reduzir a dependência de fornecedores concentrados em poucos mercados.
Brasil tem a reserva, mas China domina a produção
O maior paradoxo está na diferença entre o potencial brasileiro e sua participação efetiva no mercado. O país aparece como dono da segunda maior reserva mundial de terras raras, mas ainda possui uma produção extremamente limitada diante da dimensão desse patrimônio mineral.
A situação contrasta diretamente com o domínio chinês. A China concentra aproximadamente 90% da cadeia global relacionada às terras raras, considerando não apenas a extração, mas também etapas fundamentais como processamento, refino e transformação dos elementos em produtos utilizados pela indústria tecnológica.
Essa concentração tornou as terras raras uma questão estratégica para países que pretendem ampliar sua autonomia industrial e reduzir riscos de abastecimento.
Para o Brasil, o desafio vai muito além de encontrar novas jazidas. Transformar reservas em riqueza dependerá da capacidade de desenvolver minas, processamento, refino, tecnologia e uma cadeia industrial capaz de agregar valor ao minério dentro do próprio país.
É justamente nesse espaço entre possuir grandes reservas e dominar a cadeia produtiva que Goiás pode ganhar importância. Com a única mina brasileira atualmente em operação, o estado já ocupa uma posição que pode se tornar ainda mais relevante caso o interesse internacional pelas terras raras continue crescendo.


