O setor automotivo brasileiro ganhou uma nova estrutura voltada à sustentabilidade com a inauguração da Igarapé Reciclagem (IGAR), iniciativa do Grupo SADA voltada ao reaproveitamento de veículos em fim de vida útil. O projeto amplia a atuação do conglomerado mineiro na cadeia produtiva do setor e coloca a empresa também no segmento de reciclagem automotiva.
A nova planta industrial foi oficialmente apresentada nesta quarta-feira (25) e chega com a proposta de enfrentar um problema histórico no país: o baixo índice de reciclagem de automóveis e o acúmulo de carcaças abandonadas.
Recicladora pode processar até 300 mil veículos por ano
Com um investimento aproximado de R$ 200 milhões, a estrutura ocupa uma área de cerca de 80 mil metros quadrados e foi projetada para operar em grande escala. A capacidade operacional permite o processamento de até 300 mil veículos anualmente, colocando a unidade entre as maiores do setor no país.
A operação industrial também impressiona pelo volume de material processado. A planta pode gerar entre 100 e 120 toneladas de sucata metálica por hora, material que será encaminhado principalmente para a indústria siderúrgica.
Esse aço reciclado poderá voltar ao mercado em diversas aplicações industriais, inclusive na fabricação de novos veículos e em outros segmentos produtivos.
Primeiro ano deve reciclar cerca de 50 mil carros
Mesmo com grande capacidade instalada, a expectativa inicial é de crescimento gradual das operações. Para o primeiro ciclo de funcionamento, a previsão é que cerca de 50 mil automóveis sejam reciclados.
O objetivo é consolidar o sistema de coleta, desmontagem e reaproveitamento dos materiais, criando uma cadeia estruturada para o tratamento de veículos que já chegaram ao fim de sua vida útil.
Esse modelo segue o conceito de economia circular, que busca reduzir desperdícios e manter materiais em uso pelo maior tempo possível dentro da cadeia produtiva.
Baixa reciclagem de veículos ainda é desafio no Brasil
Durante o evento de inauguração, a diretora Daniela Medioli chamou atenção para o cenário atual do país, destacando que a reciclagem automotiva ainda ocorre em escala muito limitada.
Segundo ela, o índice nacional de reaproveitamento de veículos é extremamente reduzido, girando em torno de 1,5%, ao mesmo tempo em que existem pátios lotados e veículos abandonados que podem gerar impactos ambientais e riscos à segurança.
De acordo com Daniela, a criação da IGAR surge justamente para enfrentar esse problema, oferecendo um processo estruturado, com rastreabilidade e foco na responsabilidade ambiental.
Projeto tem apoio federal e se conecta a políticas ambientais
O presidente do Grupo SADA, Vittorio Medioli, destacou que a iniciativa também está alinhada a políticas públicas voltadas à modernização da indústria e à gestão de resíduos.
Durante a inauguração, ele agradeceu o apoio do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ao projeto. A iniciativa dialoga com o Programa Mover, voltado à inovação e sustentabilidade no setor automotivo, e com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Medioli também destacou que a diversificação de negócios faz parte da estratégia do grupo, que ao longo dos anos expandiu sua atuação para diferentes áreas da indústria, incluindo autopeças, biocombustíveis e logística.
Segundo ele, a decisão de investir na reciclagem automotiva surgiu justamente da visão de que o setor precisava de soluções amplas para lidar com os desafios ambientais e industriais do país.


