Minas Gerais sempre foi, como o próprio nome sugere, o berço da riqueza mineral brasileira. Desde o período imperial, o estado desenhou o destino econômico do país através de suas montanhas e vales. A própria origem do nome Minas Gerais remete às diversas jazidas — ou “minas gerais” — descobertas pelos bandeirantes no final do século XVII, que se diferenciavam das minas particulares. Essa vocação mineradora não se limitou ao ouro colonial.
Ao leste, o Vale do Aço consolidou-se como um dos maiores polos industriais e culturais do interior mineiro, atuando como uma força motriz na concentração de minérios e na produção de aço, essencial para o desenvolvimento nacional. No entanto, é no Noroeste do estado que uma nova página da história do ouro continua a ser escrita com letras monumentais.
Paracatu: herança histórica e protagonismo regional
Com uma história que remonta ao início do século XVIII, Paracatu foi uma das últimas grandes províncias auríferas descobertas durante o ciclo do ouro. Hoje, a cidade de quase 100 mil habitantes é muito mais que um relicário do passado. Com um território extenso de 8.231 km² e uma densidade demográfica de 11,4 hab/km², o município exerce uma liderança regional absoluta, sendo um dos principais centros urbanos fora do eixo Belo Horizonte–Triângulo Mineiro.
A economia local é um fenômeno à parte. O PIB per capita de R$ 72.311 é um dos mais elevados de Minas Gerais, sustentado por uma agropecuária altamente tecnificada e pela mineração em larga escala. A vitalidade da cidade é visível: uma frota de mais de 60 mil veículos e uma dinâmica social pulsante, com centenas de casamentos registrados anualmente, refletindo uma população madura, com idade mediana de 32 anos, e padrão de renda elevado. O nome “Paracatu”, de origem tupi, significa “rio bom”, uma premonição da fertilidade e riqueza que as águas e o solo da região entregariam aos seus habitantes.
Kinross Gold: uma gigante global em solo brasileiro
No centro desse sucesso econômico está a Kinross Gold Corporation, multinacional canadense com sede em Toronto e uma das maiores mineradoras de ouro do mundo. No Brasil, a empresa opera a mina de Morro do Ouro por meio de sua subsidiária, a Kinross Brasil Mineração, responsável pela maior mina de ouro a céu aberto do país.
A operação da Kinross em Paracatu é marcada por escala e inovação. A empresa utiliza tecnologia de ponta para extrair ouro de minérios de baixo teor, compensando essa característica com um volume expressivo de processamento. A produção anual varia entre 15 e 17 toneladas de ouro, o equivalente a cerca de 400 mil a 500 mil onças, respondendo por aproximadamente 22% da produção nacional. A mina opera 24 horas por dia, movimentando milhões de toneladas de rocha para garantir o fluxo contínuo do metal precioso.
Motor da economia do Noroeste mineiro
A influência da Kinross na economia regional é decisiva. A mineradora garante a Paracatu o maior PIB do Noroeste de Minas Gerais, com forte contribuição por meio de impostos e da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Além disso, gera milhares de empregos diretos e indiretos e impulsiona toda a cadeia produtiva local, do comércio aos serviços especializados.
A presença da multinacional transformou Paracatu em um polo de excelência em mineração, onde tecnologia avançada convive com o patrimônio histórico preservado. O passado aurífero da cidade se consolidou como alicerce de um presente próspero e de um futuro de relevância econômica para Minas Gerais e para o Brasil.
As imagens que acompanham este artigo foram produzidas pelo @DroneZeti e publicadas originalmente em seu Instagram, registrando a magnitude da operação mineradora que hoje define o horizonte de Paracatu.


