A atuação da mineradora Ferro+ em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais, será discutida em uma audiência pública marcada para quarta-feira (24), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião, que acontecerá a partir das 16 horas no Auditório José Alencar, visa esclarecer as possíveis consequências da expansão das atividades da empresa, especialmente para a comunidade do Pires, localizada na região.
Comunidade do Pires e os desafios enfrentados pela mineração em Congonhas
A deputada Beatriz Cerqueira (PT) é autora do requerimento para a realização da audiência, destacando sua preocupação com o impacto que a mineração tem sobre o patrimônio cultural e natural da comunidade do Pires. O local, que possui mais de 300 anos de história, já enfrenta sérios problemas desde 2024, quando a Comissão de Meio Ambiente da ALMG visitou a cidade e constatou o comprometimento no abastecimento de água, a poluição do ar devido ao pó de minério e até mesmo rachaduras nas casas dos moradores.
Além disso, a expansão da mineração pela Ferro+ está ameaçando diretamente a área, com planos para aumentar a extração de minério de ferro em lavra a céu aberto. A proposta inclui a disposição de rejeitos em pilhas e também a utilização de uma cava já existente para o reaproveitamento do minério. De acordo com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a área de atuação da empresa está localizada a apenas 120 metros das casas da comunidade, o que tem gerado grande preocupação entre os moradores.
Na audiência pública realizada em julho de 2025, durante o processo de licenciamento ambiental, moradores de Congonhas expressaram suas apreensões quanto aos impactos da mineração na saúde da população, na qualidade da água e no ar que respiram.
O MAB alerta sobre a ameaça à preservação da Serra do Pires, uma área que compõe a paisagem do conjunto arquitetônico da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Este sítio histórico, onde se encontram as esculturas dos Doze Profetas, obra de Aleijadinho, é tombado como patrimônio cultural da humanidade pela Unesco, e a atividade mineradora poderia comprometer sua integridade e, consequentemente, sua proteção.
A audiência, que contará com a participação de representantes da mineradora, do Movimento dos Atingidos por Barragens e moradores locais, será uma oportunidade crucial para discutir a sustentabilidade das atividades mineradoras e buscar soluções que considerem o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e a preservação do patrimônio cultural e ambiental de Congonhas.


