De acordo com um estudo do Ipead (Instituto de Pesquisas Econômicas da UFMG), divulgado pela Folha, o custo de vida em Mariana (MG) é 9,4% superior ao de João Monlevade, cidade com características econômicas semelhantes. A principal razão desse aumento é a mineração, que, além de gerar uma concentração de renda, impacta diretamente os preços de habitação e despesas pessoais, setores em que os preços são 27% e 24% mais altos, respectivamente, em Mariana.
O papel da mineração no aumento dos preços em Mariana
Mariana, que conta com a atuação das mineradoras Vale e Samarco, sofre os efeitos da concentração de renda gerada pela atividade mineradora. A demanda por bens e serviços cresce significativamente, o que eleva os preços, especialmente para moradores que não estão diretamente ligados ao setor, como trabalhadores terceirizados e famílias de baixa renda.
Esse fenômeno ocorre devido ao rápido crescimento da população em Mariana, impulsionado pela chegada de empregados e serviços vinculados à mineração. Como resultado, os custos de habitação e consumo acabam ficando fora do alcance de muitas famílias que não são inseridas diretamente na cadeia produtiva mineral, gerando uma desigualdade crescente no município.
O impacto social sem planejamento
O estudo também alerta que, sem um planejamento urbano adequado e uma diversificação econômica, a mineração acaba aprofundando desigualdades sociais e pressionando os serviços públicos. A demanda extra por serviços essenciais, como saúde, educação e assistência social, acaba sobrecarregando o município, que, apesar de seu crescimento econômico, enfrenta altos custos sociais.
Marco Antônio Lage, presidente da Amig, destaca que, sem um planejamento adequado para o desenvolvimento sustentável, a mineração em Mariana se torna um fator de aumento do custo de vida, afetando negativamente as famílias que não fazem parte diretamente da atividade mineradora.


