A crescente pressão para a extração de terras raras no sul de Minas Gerais, especialmente em áreas de Mata Atlântica em Caldas e Poços de Caldas, tem gerado um clima de incerteza e preocupação entre ambientalistas e moradores locais. O processo de licenciamento ambiental para essas atividades pode transformar a região em um verdadeiro ponto de sacrifício ambiental, com potenciais consequências devastadoras para a biodiversidade local e o equilíbrio ecológico.
Terras raras: da tecnologia à indústria armamentista
As terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de dispositivos tecnológicos, como chips para Inteligência Artificial, têm atraído um crescente interesse internacional. No entanto, o uso desses minerais vai além das inovações tecnológicas e chega também à indústria da guerra, o que levanta ainda mais controvérsias sobre sua exploração.
Empresas mineradoras estrangeiras, especialmente de origem australiana, estão aguardando aprovação para a extração dessas substâncias nas regiões de Caldas e Poços de Caldas, uma área rica em recursos naturais, mas também muito sensível do ponto de vista ambiental.
A grande preocupação de ambientalistas e residentes é a falta de transparência e participação popular no processo de licenciamento das mineradoras. A Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) ainda não deu seu parecer final sobre os pedidos, mas já há 223 empresas, brasileiras e internacionais, autorizadas a explorar e pesquisar a viabilidade de mineração na área. O impacto de uma mineração predatória pode ser irreversível, principalmente em uma região tão rica em biodiversidade e com características geológicas únicas.
Cratera do Planalto Vulcânico e o ecossistema único da região
O sul de Minas abriga uma das maiores crateras do Hemisfério Sul, a Planalto Vulcânico, formada por antigos vulcões que sucumbiram ao longo do tempo. A região, que abrange municípios como Caldas, Poços de Caldas e Andradas, é conhecida por sua rica fauna e flora endêmicas, além de suas águas medicinais.
A área também é essencial para a manutenção da bacia do Rio Grande, que abastece diversos municípios de Minas Gerais e São Paulo e deságua no Rio Paraná, seguindo até a Argentina. A exploração mineral em tais condições pode comprometer não só a biodiversidade local, mas também a qualidade das águas e os ecossistemas que dependem dessa rede hídrica.


