Recentemente, as medidas de proteção tarifária destinadas a reduzir as importações de produtos de aço e fortalecer a indústria nacional continuam sem apresentar resultados significativos. O País está prestes a registrar um novo recorde nas importações deste ano, conforme apontado pelo Instituto Nacional dos Distribuidores de Aços Planos (Inda).
Carlos Loureiro, presidente do Inda, tem criticado a política comercial brasileira há meses e, em uma declaração feita na quarta-feira (25), afirmou que a medida de proteção tarifária “não resolveu nada e continuará sem resolver”.
Desde o ano passado, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) vem adotando essas medidas. A alíquota de 25% foi mantida para 19 produtos importados de aço já abrangidos pela medida e estendida para mais quatro, totalizando 23 produtos. No entanto, Loureiro considera essas ações insuficientes para proteger o mercado nacional, prevendo que a pressão sobre a indústria brasileira persistirá nos próximos meses.
“Alguns colegas estão comprando material importado mesmo pagando os 25%. Esse material está entrando no País ainda com uma vantagem muito grande [em relação aos produtos brasileiros]”, diz Loureiro.
Os dados do Inda revelam que as importações aumentaram 71,5% em maio em comparação ao ano anterior, saltando de 243 mil toneladas para 418 mil toneladas — um volume que Loureiro classifica como “chocante”. No acumulado entre janeiro e maio, o crescimento foi de 40,8%.
Queda nos preços e aumento das importações
O cenário atual é marcado por estoques elevados, portos congestionados e uma queda nos preços internacionais. Essa combinação deve continuar pressionando os preços dos aços planos no mercado brasileiro nos próximos meses e impulsionar ainda mais as importações.
“Só no porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, há mais de 900 mil toneladas para serem internalizadas. Em junho, o número de importação vai nos surpreender, e tudo leva a crer que esses números continuarão altos não só em junho, mas também em julho e agosto. A perspectiva é que a gente tenha, neste ano, um volume recorde de importação”, analisa o presidente do Inda.
Os dados divulgados pelo instituto indicam que, em maio, havia estoque suficiente para 3,3 meses — um aumento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior. Atualmente, cerca de 1,1 milhão de toneladas de do produto estão armazenadas no Brasil, comparadas a 915 mil toneladas em 2024. Loureiro considera esse número alarmante: “Praticamente todos os distribuidores estão com o preço de estoque médio acima do preço de reposição. Isso significa um prejuízo acumulado, já que o que vale no preço de venda é o preço de reposição”.


