Holanda julgará Vale em 14 de julho por desastre de Mariana

Publicado em

A Vale SA e a Samarco Iron Ore Europe BV enfrentarão em 14 de julho de 2025 uma audiência decisiva no Tribunal Distrital de Amsterdã, que pode abrir um novo capítulo na responsabilização internacional pelo desastre da barragem de Fundão, ocorrido em Mariana (MG) em 2015. A tragédia, considerada o maior desastre socioambiental da história do Brasil, volta ao centro das atenções com o avanço do processo na Holanda, movido por mais de 75 mil atingidos.

Essa é a primeira vez que a mineradora brasileira será ouvida por um tribunal estrangeiro após seu acordo com a BHP no Reino Unido, onde deixou de figurar como ré, mas permanece corresponsável por eventuais indenizações futuras. A nova frente judicial representa não só uma reabertura das discussões sobre culpa e reparação, como também uma ampliação da jurisdição internacional em busca de justiça ambiental.

Ação coletiva pode atingir € 3 bilhões em indenizações

A ação foi protocolada em 2024 por uma fundação holandesa sem fins lucrativos, a Stichting Ações do Rio Doce, que representa dezenas de milhares de vítimas diretas e indiretas do rompimento da barragem. O processo demanda uma reparação financeira estimada em € 3 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 19,2 bilhões — com base em danos materiais, ambientais e sociais provocados ao longo dos últimos dez anos.

Além das vítimas individuais, municípios atingidos também são parte do processo. Há ainda a possibilidade de adesão de mais 100 mil pessoas que já manifestaram interesse em integrar a fundação, o que pode elevar significativamente o número de demandantes nos próximos meses.

Vale e subsidiárias são acusadas de lucrar com operação da Samarco

As empresas estão sendo processadas na Holanda sob o argumento de que subsidiárias europeias da Vale e da Samarco tiveram participação estratégica na cadeia de exportação do minério extraído no Brasil. Os advogados da fundação alegam que essas empresas não apenas se beneficiaram financeiramente da operação, como também exerceram papel relevante na gestão e comercialização do produto final, o que justificaria sua responsabilização.

O caso está sendo conduzido pelo escritório holandês LVDK, com assessoria da firma internacional Pogust Goodhead — também responsável pela representação das vítimas no processo judicial paralelo contra a BHP, em curso no Reino Unido.

Justiça holandesa já determinou bloqueio de bens da mineradora

Um dos marcos do processo na Holanda foi a decisão judicial, ainda em 2024, que autorizou a apreensão cautelar de ativos da Vale no país. A medida visa assegurar a existência de recursos suficientes para eventuais indenizações, em caso de condenação. Essa decisão elevou o grau de seriedade e de comprometimento da justiça holandesa com os interesses dos atingidos.

A audiência agendada para julho será crucial: nela serão definidos os limites e a condução do julgamento de responsabilidade civil. Com isso, o caso ganha novos contornos e pode se tornar um precedente importante para ações internacionais envolvendo danos ambientais transfronteiriços.

Matérias Relacionadas

Projeto da Vale prevê mais de 2 mil empregos e coloca Parauapebas diante de nova expansão da mineração

Projeto Alemão da Vale prevê mais de 2 mil empregos diretos na implantação de uma unidade de concentrado de cobre em Parauapebas, no Pará

Ferrovias batem recorde em 2025 e minério de ferro responde por 72% das cargas

Em 2025, as ferrovias brasileiras movimentaram 555,48 milhões de toneladas úteis, com o minério de ferro respondendo por cerca de 72% das cargas

Pará: Projeto Luanga prevê mina com capacidade para processar 10 milhões de toneladas de minério por ano

Projeto Luanga, localizado na região de Carajás, no Pará, prevê implantação de mina, unidade de beneficiamento e metalúrgica, com capacidade para processar até 10 milhões de toneladas de minério por ano

Mariana avança na política habitacional com construção de 352 apartamentos pelo Minha Casa, Minha Vida

Município assinou contratos para implantação de moradias populares e investimento de R$ 31,52 milhões em infraestrutura urbana; área também deverá receber novos projetos habitacionais

últimas Matérias

Terras raras no Sul de Minas atraem BNDES e podem movimentar R$ 3,5 bilhões em novo megaprojeto

Projeto Caldeira, entre Poços de Caldas e Caldas, pode ter participação do BNDES e prevê processamento de terras raras no Brasil em meio a acordo de R$ 3,5 bilhões da Lynas

ANM quer dividir fiscalização da mineração com estados e municípios e mira bilhões em royalties

A ANM quer ampliar a fiscalização da mineração com apoio de estados e municípios, monitorar barragens e empreendimentos e reforçar o controle da arrecadação da Cfem

Nióbio pode deixar carros mais leves e seguros e já representa 33% dos negócios da CBMM

Entenda como o nióbio usado em aços automotivos pode aumentar a resistência dos veículos, reduzir o peso e contribuir para a eficiência energética. O setor já representa 33% dos negócios da CBMM

Ternium investe R$ 25 bilhões no Brasil e comemora 20 anos na Bolsa de Nova York

Ternium completa 20 anos na Bolsa de Nova York, investe R$ 25 bilhões no Brasil e amplia aportes na Usiminas, no Rio de Janeiro e na formação técnica