O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (28), pressionado principalmente pelo desempenho negativo da Vale e pelo clima de cautela nos mercados internacionais em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e à expectativa pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. O principal índice da Bolsa brasileira recuou 0,51%, aos 188.618,69 pontos, após tocar a mínima de 187.236 pontos durante o pregão.
Com o resultado, o mercado doméstico praticamente zerou os ganhos acumulados em abril e passou a refletir um movimento mais defensivo por parte dos investidores, que evitam ampliar posições antes da chamada superquarta, quando Federal Reserve e Banco Central divulgam seus próximos passos para a política monetária.
Entre as principais pressões negativas do dia esteve a Vale, que recuou 1,3% acompanhando a desvalorização dos contratos futuros do minério de ferro na Bolsa de Dalian, na China. A commodity voltou a cair diante das incertezas sobre a demanda chinesa e do enfraquecimento do setor industrial asiático.
Como a mineradora possui um dos maiores pesos dentro da composição do Ibovespa, qualquer oscilação mais intensa em seus papéis acaba impactando diretamente o desempenho do índice.
Além disso, o mercado também adotou postura de espera antes da divulgação do balanço trimestral da companhia, o que contribuiu para limitar novas compras.
Conflito no Oriente Médio mantém investidores em alerta
O cenário internacional também continuou influenciando o humor dos negócios. A falta de avanços nas negociações envolvendo Estados Unidos e Irã reforçou a percepção de risco global e elevou a busca por ativos considerados mais seguros.
A tensão geopolítica impulsionou o barril do petróleo Brent, que encerrou o dia em alta de 2,8%, cotado acima de US$ 111, enquanto bolsas norte-americanas também fecharam no vermelho, com o S&P 500 recuando 0,49%.
Apesar de a valorização do petróleo beneficiar empresas ligadas ao setor de energia, o avanço da commodity trouxe um efeito colateral negativo: aumentou os temores de inflação global e reduziu o apetite por mercados emergentes como o Brasil.
Superquarta trava apetite por risco na Bolsa
Outro fator decisivo para a sessão foi a proximidade das reuniões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.
O Federal Reserve anuncia nesta quarta-feira sua decisão sobre os juros, e a expectativa predominante é de manutenção da taxa entre 3,50% e 3,75%. Já no Brasil, o Banco Central divulga após o fechamento do mercado o novo patamar da Selic, atualmente em 14,75% ao ano, com projeção de corte de 0,25 ponto percentual.


