A Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), por meio da Unidade Embrapii, tem se destacado em um projeto inovador que transforma os rejeitos da mineração — um dos maiores passivos ambientais do Brasil — em materiais sustentáveis de alto desempenho para a construção civil. A tecnologia desenvolvida propõe a utilização desses rejeitos na produção de blocos para pavimentação, alvenaria, ladrilhos hidráulicos, tintas, concretos e argamassas, promovendo a economia circular no setor.
Solução sustentável para milhões de toneladas de rejeitos de mineração
O Brasil enfrenta um desafio ambiental significativo com a gestão dos rejeitos gerados pela mineração. Ao invés de continuar com a prática de armazenar esses materiais em barragens ou pilhas, o projeto da Ufop oferece uma alternativa inovadora. Ao integrá-los à cadeia produtiva da construção civil, os rejeitos ganham um novo valor econômico, ao mesmo tempo em que contribuem para a preservação ambiental.
Com a criação de blocos e outros produtos de construção a partir desses rejeitos, a Ufop busca reduzir o impacto ambiental negativo da mineração, ao mesmo tempo em que utiliza esses materiais em setores que demandam recursos, como a construção de pavimentação e alvenaria.
Inaugurada em 2023, a Vila Recliclos/Ufop é um espaço que funciona como uma vitrine para as inovações tecnológicas desenvolvidas pela Unidade Embrapii. O local exibe exemplos práticos de como os rejeitos de mineração podem ser transformados em produtos úteis e duráveis para a construção civil. A Vila Recliclos se tornou um ponto de visitação e aprendizado sobre como a sustentabilidade pode ser incorporada no dia a dia da indústria.
Dados do setor e impacto da nova tecnologia
De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil extraiu aproximadamente 113 milhões de toneladas de areia em 2021. Desse total, apenas 11 milhões de toneladas eram areia industrial, com a região Sudeste sendo responsável por 61 milhões de toneladas dessa produção. A proposta da Ufop visa não apenas o reaproveitamento dos rejeitos, mas também a utilização de materiais que poderiam ser escassos ou onerosos no processo de construção.
Além do desenvolvimento e aplicação da tecnologia, a Ufop realiza anualmente uma expedição para monitorar o desempenho dos artefatos criados a partir dos rejeitos de mineração. Durante essa expedição, são coletados dados, fotos e informações que ajudam a construir um histórico sobre a durabilidade e o desempenho desses materiais no mundo real, reforçando a viabilidade e sustentabilidade da solução proposta.


