sexta-feira, 6 de novembro de 2026
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Cedro Mineração destaca pellet feed como peça-chave para reduzir em 95% as emissões na produção de aço verde

Durante o CNN Talks, Rodrigo Uchoa, da Cedro Mineração, destacou o pellet feed, o beneficiamento mineral e a rastreabilidade como fatores estratégicos para o avanço do aço verde no Brasil

Por Raquel Luciano6 de novembro de 2026 · 17:18Leitura de 3 min
Durante o CNN Talks, Rodrigo Uchoa, da Cedro Mineração, destacou o pellet feed, o beneficiamento mineral e a rastreabilidade como fatores estratégicos para o avanço do aço verde no Brasil
Imagem: Divulgação – Durante o CNN Talks, Rodrigo Uchoa, da Cedro Mineração, destacou o pellet feed, o beneficiamento mineral e a rastreabilidade como fatores estratégicos para o avanço do aço verde no Brasil

A transição energética da indústria siderúrgica pode abrir novas oportunidades para a mineração brasileira, especialmente para empresas capazes de fornecer minério de ferro com características adequadas à produção de aço de baixa emissão de carbono. Esse foi um dos pontos apresentados por Rodrigo Uchoa, diretor de Comunicação Corporativa da Cedro Mineração, durante o CNN Talks, realizado na quinta-feira (5). O Cidades & Minerais esteve no evento e acompanho de perto as declarações.

Ao abordar o avanço da siderurgia de baixo carbono, o executivo destacou a importância do pellet feed, um minério de ferro de granulometria fina que passa por etapas de beneficiamento e pode ser utilizado na produção de pelotas destinadas a processos siderúrgicos específicos.

Uchoa relacionou a demanda por esse tipo de matéria-prima ao desenvolvimento de projetos industriais que utilizam hidrogênio como agente redutor, em substituição a processos convencionais mais intensivos em carbono. Segundo ele, uma das iniciativas desse modelo tem potencial para reduzir em até 95% as emissões de carbono da produção industrial.

“Essa indústria promete diminuir 95% a sua emissão de carbono. Para que ela faça isso, ela precisa desse minério verde.”

Na avaliação do representante da Cedro, o Brasil reúne condições para ocupar uma posição relevante nessa nova cadeia produtiva, desde que consiga desenvolver fornecedores de minério com qualidade adequada e ampliar o beneficiamento dentro do próprio território nacional.

Cedro Mineração aponta pellet feed como oportunidade na cadeia do aço verde

Durante o debate, Rodrigo Uchoa ressaltou que a produção de aço verde depende de uma combinação de fatores, entre eles fontes de energia de baixa emissão, disponibilidade de hidrogênio e matérias-primas com características específicas.

O executivo chamou atenção para o papel do beneficiamento mineral nesse processo. A transformação do minério bruto em um produto com especificações adequadas permite agregar valor à matéria-prima e atender às exigências de indústrias que buscam reduzir sua pegada de carbono.

A discussão também trouxe a perspectiva de que a produção de aço de baixa emissão não é apenas uma possibilidade distante. Para Uchoa, o Brasil já está diante de oportunidades concretas para participar dessa transformação industrial.

“Quando a gente fala de minério verde, a gente fala de aço verde e não está falando de uma coisa para um futuro, distante de outro planeta. Nós estamos falando logo ali na esquina.”

Rastreabilidade e pegada de carbono podem aumentar valor dos minerais brasileiros

Outro tema abordado pelo diretor da Cedro foi a rastreabilidade dos produtos minerais e industriais. Com mercados consumidores cada vez mais atentos à origem das matérias-primas, às condições de produção e aos impactos ambientais, demonstrar a procedência dos materiais pode se tornar um diferencial competitivo.

Uchoa citou exigências internacionais relacionadas à origem dos minerais utilizados em baterias e à pegada de carbono dos produtos. Também mencionou a disposição de compradores europeus em pagar valores adicionais por aço importado que atenda a determinados critérios de rastreabilidade.

O executivo destacou que essas exigências podem representar uma oportunidade para o Brasil, desde que as empresas consigam comprovar a origem dos recursos e apresentar informações confiáveis sobre os processos produtivos.

A discussão ocorreu em um momento de transformação da indústria global, no qual a competitividade tende a envolver não apenas preço e volume de produção, mas também eficiência energética, qualidade mineral, transparência e responsabilidade ambiental.

Ao defender o avanço do beneficiamento e da rastreabilidade, Uchoa reforçou que o país precisa aproveitar suas condições minerais e energéticas para conquistar espaço nas cadeias industriais de maior valor agregado. O desafio, agora, é transformar essas oportunidades em projetos, investimentos e capacidade produtiva.