A sucata ganhou espaço no debate sobre o futuro da indústria do aço durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado em São Paulo. O presidente da Usiminas e conselheiro do Instituto Aço Brasil, Marcelo Chara, afirmou que o material tem importância estratégica para reduzir as emissões de carbono do setor.
Durante sua participação no evento, realizado na quarta-feira (30), Chara chamou atenção para o risco de o país perder um insumo considerado relevante para a transição energética caso grandes volumes de sucata sejam enviados ao exterior.
O executivo defendeu que o Brasil encontre mecanismos para controlar a saída desse material sem comprometer a atividade industrial. Para Chara, a discussão precisa avançar de maneira equilibrada, considerando tanto os objetivos ambientais quanto a necessidade de manter matéria-prima disponível dentro do país.
Sucata é apontada como peça estratégica para a descarbonização
A utilização da sucata está diretamente relacionada aos esforços da indústria siderúrgica para diminuir a intensidade de carbono de seus processos. Por isso, a disponibilidade desse material passou a ser tratada pelo setor como uma questão estratégica dentro da transição para uma produção com menor emissão de gases de efeito estufa.
Além da questão ambiental, Chara destacou que a mudança no modelo industrial precisa levar em conta os custos envolvidos. Segundo ele, investimentos em descarbonização precisam ser compatíveis com a realidade econômica das empresas e do mercado.
Indústria terá novos custos com mercado de emissões
Outro ponto levantado pelo presidente da Usiminas foi a regulamentação do sistema brasileiro de comércio de emissões. Na avaliação apresentada por Chara, as regras precisam ser revistas diante dos efeitos financeiros que poderão atingir a indústria a partir de 2031.
O executivo também afirmou que o setor industrial representa 4% das emissões brasileiras. Nesse cenário, a discussão sobre redução de carbono envolve não apenas mudanças tecnológicas, mas também regras, investimentos e custos para as empresas.
O debate realizado no Congresso Aço Brasil 2026 coloca a sucata no centro de uma discussão que deve ganhar espaço nos próximos anos: como reduzir as emissões da siderurgia sem comprometer a competitividade e a capacidade produtiva da indústria brasileira.


