A ArcelorMittal, maior produtora de aço da Europa, surpreendeu o setor industrial ao abrir mão de € 1,3 bilhão em subsídios do governo alemão que seriam destinados à conversão de duas de suas usinas siderúrgicas para produção com uso de hidrogênio verde. As unidades de Bremen e Eisenhüttenstadt, que seriam adaptadas para abandonar o carvão em seus fornos, continuarão operando sob o modelo tradicional, contrariando os planos de descarbonização da indústria alemã.
Além disso, a empresa alertou para a possibilidade de encerrar sua planta de etanol verde na Bélgica, devido às exigências regulatórias da União Europeia, que limitam a comercialização de biocombustíveis. A usina, segundo a companhia, teria que vender seus produtos com prejuízo diante das regras atuais.
Transição energética em xeque por falta de competitividade
A recusa em avançar com a transformação das usinas foi justificada pela ArcelorMittal como uma questão de viabilidade econômica. A companhia argumenta que os custos de energia na Alemanha são elevados demais e há grande incerteza sobre a estabilidade futura da matriz energética, o que inviabiliza investimentos de longo prazo em tecnologias verdes.
A decisão evidencia um dilema enfrentado por grandes indústrias europeias: como aderir à transição energética sem comprometer a competitividade global. Fabricantes alemães têm denunciado há meses os custos operacionais crescentes, especialmente após o fim do fornecimento de gás russo, consequência direta da guerra na Ucrânia.
Setor siderúrgico europeu sob pressão
A postura da ArcelorMittal expõe não só o desafio da descarbonização industrial, mas também o ambiente de tensão enfrentado pela indústria siderúrgica no continente. Concorrência com a China, aumento de tarifas nos EUA e perda de incentivos tornam o cenário ainda mais complexo.
A rival Thyssenkrupp, outro nome forte do setor, anunciou em novembro de 2024 que pretende cortar 40% de sua força de trabalho nas operações de aço, diante da queda de rentabilidade e do peso da transição energética.
O recuo da ArcelorMittal acende um alerta sobre a efetividade dos planos climáticos da Europa. Sem ajustes nos custos de energia e maior previsibilidade regulatória, o caminho para a neutralidade de carbono pode se mostrar mais lento e tortuoso do que o esperado.


