A transformação de rejeitos da mineração em novas oportunidades econômicas foi um dos principais temas debatidos no Imersão Indústria, evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), realizado em Belo Horizonte na última sexta-feira (24).
Um dos painéis de destaque abordou o tema “Inovação e Circularidade na Valorização de Rejeitos”, reunindo especialistas do setor mineral para discutir estratégias voltadas à economia circular e ao reaproveitamento de materiais antes tratados apenas como passivos ambientais.
AngloGold aposta na valorização de rejeitos
Participaram da discussão representantes da AngloGold Ashanti, Anglo American, Nexa Resources e do Instituto Senai de Inovação em Processamento Mineral, com foco em soluções tecnológicas e avanços regulatórios para o setor.
Durante o painel, a especialista sênior em Geometalurgia da AngloGold Ashanti, Mariana Gazire Lemos, destacou que a empresa vem trabalhando para mudar a forma como os rejeitos são enxergados dentro da mineração.
Segundo ela, essa mudança faz parte de uma estratégia que une inovação, sustentabilidade e segurança operacional, buscando ampliar o uso desses materiais em novos mercados.
Entre os exemplos apresentados está o projeto Mineração que Constrói Caminhos, iniciativa que permite o uso de estéril e rejeitos na fabricação de blocos de concreto e em misturas asfálticas, fortalecendo a presença da mineração na cadeia da construção civil e reduzindo a necessidade de novas estruturas de disposição.
Geometalurgia e tecnologia impulsionam a circularidade
Outro ponto importante levantado no debate foi o uso da geometalurgia e da mineralogia como ferramentas para identificar, ainda nas etapas iniciais da produção, o potencial de reaproveitamento dos materiais.
A empresa também destacou investimentos em tecnologias como filtragem e empilhamento a seco, soluções que facilitam o reaproveitamento futuro e tornam a logística da circularidade mais eficiente tanto do ponto de vista econômico quanto operacional.
Além disso, a AngloGold reforçou que o avanço dessas soluções depende da integração com universidades, startups, centros de pesquisa e órgãos públicos, formando um ecossistema de inovação aberta capaz de validar novas aplicações e ampliar a aceitação regulatória e de mercado.
Ao final, o painel reforçou a visão de que os rejeitos minerais podem deixar de representar apenas um desafio ambiental para se tornarem recursos estratégicos, com potencial de gerar valor econômico, reduzir impactos e contribuir para uma mineração mais sustentável.


