A Usiminas promoveu um reajuste de cerca de 5% nos preços do aço destinados ao setor de distribuição, mercado spot e também em parte dos contratos industriais atualizados em 1º de abril. A informação foi confirmada por executivos da companhia durante teleconferência com analistas nesta sexta-feira (24), após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026.
Guerra no Oriente Médio pressiona insumos e fretes
Segundo a companhia, o aumento foi motivado principalmente pela pressão de custos gerada pela guerra no Oriente Médio, iniciada no fim de fevereiro, que vem elevando preços de petróleo, fretes internacionais e matérias-primas estratégicas para a siderurgia. A própria Usiminas classificou o cenário econômico para os próximos trimestres como desafiador em razão da instabilidade geopolítica.
De acordo com o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Diego Garcia, praticamente todos os insumos da cadeia siderúrgica devem sofrer reajustes no segundo trimestre. Entre os principais aumentos já observados estão coque, carvão e, sobretudo, placas de aço compradas de terceiros — item que ainda não pesou no primeiro trimestre devido ao calendário de aquisição, mas que deve pressionar as margens da empresa daqui para frente.
Usiminas não descarta novos repasses ao mercado
O vice-presidente comercial Miguel Homes afirmou que a empresa segue monitorando a volatilidade internacional e admite a possibilidade de promover novos aumentos de preços nos próximos meses para preservar a rentabilidade da operação. Segundo ele, ainda não há definição sobre percentuais ou datas, mas o posicionamento da companhia deverá ser “mais exigente” diante da escalada dos custos locais e externos.
Este é o segundo aumento aplicado pela siderúrgica em 2026. Em janeiro, a empresa já havia promovido reajuste semelhante, também na casa dos 5%, com foco na recomposição das margens da divisão de siderurgia após um longo período de rentabilidade comprimida. Na ocasião, a companhia alegava pressão provocada principalmente pelo avanço das importações de aço em condições consideradas desleais no mercado brasileiro.
Reajuste pode impactar cadeia industrial e construção civil
Como a Usiminas é uma das principais fornecedoras de aços planos do país, os aumentos tendem a repercutir em setores como construção civil, autopeças, indústria automotiva, linha branca e bens de capital. A sinalização de novos repasses acende alerta para uma possível pressão inflacionária em segmentos dependentes do insumo nos próximos meses.


