As recentes medidas protecionistas anunciadas pelos Estados Unidos — conhecidas como o novo “tarifaço” — devem ter efeito mínimo sobre as empresas brasileiras de mineração e siderurgia. É o que apontam análises da XP Investimentos e do Bradesco BBI, que classificam o impacto como “imaterial” para grande parte do setor.
Na prática, o pacote de tarifas prevê alíquotas de até 50% sobre aço e alumínio importados, retomando uma postura mais agressiva nas políticas comerciais norte-americanas. No entanto, segundo os relatórios, as companhias brasileiras mais relevantes do setor têm baixa exposição ao mercado dos EUA — o que reduz significativamente qualquer risco direto.
XP vê efeito direto próximo de zero do tarifaço no Brasil
Segundo levantamento da XP, a exposição da CSN (CSNA3) aos Estados Unidos representa cerca de 4% da sua receita total, enquanto a CBA (CBAV3) e a Vale (VALE3) têm porcentagens ainda menores, em torno de 3,2% e 2,8%, respectivamente. Já a Usiminas (USIM5) aparece com apenas 2,6% de dependência do mercado norte-americano.
A XP alerta, porém, para efeitos indiretos mais difíceis de mensurar, como eventual desaceleração na demanda global ou mudanças no fluxo de exportações, que poderiam afetar os preços internacionais dos metais e produtos siderúrgicos.
Gerdau pode até se beneficiar
Entre os nomes analisados, a Gerdau (GGBR4) chama atenção. Com cerca de 40% de sua receita originada nos Estados Unidos, a empresa se destaca por manter unidades de produção localizadas dentro do território norte-americano. Ou seja: ao contrário das concorrentes que exportam diretamente para os EUA, a Gerdau pode até ganhar competitividade com as novas tarifas, já que seus produtos não seriam afetados pelas barreiras.
Segundo o Bradesco BBI, a empresa pode se beneficiar, inclusive, de possíveis restrições impostas a concorrentes estrangeiras, reforçando sua presença no mercado interno dos EUA — especialmente em produtos como aço semiacabado, em que o país depende fortemente de importações brasileiras.
Setor observa, mas sem grandes sobressaltos
Apesar da retórica agressiva da nova política comercial norte-americana, os analistas das casas de investimento reforçam que não há motivo para alarde no curto prazo, ao menos no setor minerador e siderúrgico do Brasil. O foco agora está nos possíveis desdobramentos macroeconômicos, como volatilidade cambial e reações da China, que podem reverberar globalmente.
Na visão do mercado, o novo tarifaço impacta com mais força setores com maior presença nos EUA, como aviação (Embraer), autopeças (Tupy) e papel e celulose (Suzano), do que propriamente mineração e aço.


