O governo federal deu um passo considerado histórico para a modernização do sistema elétrico brasileiro ao apresentar as diretrizes do primeiro leilão nacional voltado exclusivamente para sistemas de armazenamento de energia em baterias. A iniciativa abre caminho para ampliar a segurança energética do país e fortalecer a integração das fontes renováveis à matriz elétrica.
Com demanda prevista de pelo menos 2 gigawatts (GW), a concorrência deverá impulsionar investimentos em uma tecnologia considerada estratégica para garantir maior estabilidade ao fornecimento de energia proveniente de usinas solares e eólicas.
Armazenamento de energia terá leilão exclusivo e incentivo à indústria nacional
O modelo definido pelo Ministério de Minas e Energia prevê a realização de duas disputas independentes, programadas para dezembro. Uma delas será destinada a projetos que utilizem equipamentos e componentes fabricados no Brasil, enquanto a outra será aberta a todos os empreendimentos, independentemente da origem dos equipamentos.
A medida busca estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional e ampliar a participação da indústria brasileira em um mercado que deve crescer significativamente nos próximos anos.
Os contratos terão duração de 15 anos, com início de fornecimento previsto para agosto de 2028. Os vencedores serão remunerados por meio de receita anual fixa, atualizada pela inflação oficial, garantindo previsibilidade para os investidores.
Entre os requisitos estabelecidos estão capacidade mínima de 30 megawatts (MW), operação contínua por pelo menos quatro horas, eficiência mínima de 85% e recarga completa em até seis horas.
Minas Gerais e Nordeste ganham prioridade no novo mercado de baterias
A estrutura do leilão também favorece projetos localizados em regiões consideradas estratégicas para o sistema elétrico nacional. Minas Gerais e estados do Nordeste receberão bonificações que podem aumentar sua competitividade durante a disputa.
A escolha dessas localidades está relacionada à forte presença da geração solar e eólica, além do potencial para expansão dessas fontes nos próximos anos. Estados como Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas também integram a lista de áreas prioritárias.
Os sistemas de armazenamento são vistos como peças fundamentais para superar um dos principais desafios das energias renováveis: a intermitência. Com as baterias, a energia gerada durante períodos de maior produção pode ser armazenada e utilizada posteriormente, ampliando a confiabilidade do abastecimento elétrico.
Além das diretrizes do leilão, o setor recebeu um novo marco regulatório após a definição das regras tarifárias para os sistemas de baterias. As normas estabelecem critérios específicos para cobrança pelo uso da rede elétrica, criando maior segurança regulatória para investidores e empreendedores interessados no segmento.
A expectativa é que a iniciativa acelere a expansão do armazenamento de energia no Brasil e fortaleça a posição de Minas Gerais e do Nordeste como protagonistas da transição energética nacional.


