Tribunal de Londres avança no caso Mariana com audiência nos dias 2 e 3 de agosto contra a BHP

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O Tribunal Superior de Londres realiza nesta semana uma audiência decisiva no processo internacional contra a mineradora BHP, responsável pelo desastre ocorrido em Mariana (MG), que completa quase uma década. Nos dias 2 e 3 de julho, será realizada a chamada Case Management Conference (CMC), etapa preparatória que irá organizar os próximos passos da segunda fase do julgamento, marcada para começar em outubro de 2026.

O que será definido na audiência desta semana no caso Mariana

A CMC servirá para estruturar o julgamento que avaliará os impactos e as possíveis indenizações a serem pagas em caso de condenação da BHP. Nesta fase, o tribunal deve estabelecer o escopo das discussões, a lista de temas centrais, o cronograma detalhado das próximas etapas, além de definir prazos para entrega de documentos, perícias técnicas e depoimentos.

Participam da audiência representantes do escritório Pogust Goodhead, que atua em nome de cerca de 620 mil pessoas atingidas, entre moradores, indígenas, quilombolas, autarquias e empresas afetadas pela tragédia. Também estarão presentes os advogados da mineradora anglo-australiana.

Lideranças brasileiras estarão em Londres

A cidade de Mariana, epicentro do desastre, estará representada diretamente em Londres pelo prefeito Juliano Duarte, que tem se posicionado contra as propostas de repactuação feitas pelas mineradoras. Ao lado dele, estará Marcelo Krenak, importante liderança do povo Krenak, cujas raízes culturais e de subsistência estão profundamente ligadas ao Rio Doce — um dos maiores símbolos de destruição causados pelo rompimento da barragem de Fundão.

Ambos estarão disponíveis para entrevistas e acompanharão de perto a audiência, reforçando o engajamento das comunidades brasileiras diretamente afetadas pelo episódio.

Fase inicial já concluída

A primeira fase do julgamento, finalizada em março deste ano, tratou da responsabilidade da BHP pelo rompimento da barragem ocorrido em novembro de 2015. A decisão da juíza Finola O’Farrell ainda não foi divulgada, mas a marcação da nova audiência demonstra o comprometimento da Justiça britânica com a celeridade e a seriedade do caso.

Mesmo sem a sentença da primeira etapa, a movimentação do tribunal para dar início à fase de discussão dos danos e das reparações reforça a prioridade que o desastre de Mariana tem recebido no exterior — algo que contrasta com o longo histórico de impunidade no Brasil.

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